Associação Gaita-de-Foles A.P.E.D.G.F. APEDGF
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Reportagem Fotográfica

Algumas fotografias deste Encontro em Santa Maria da Feira.
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  Memórias  
Reveja o I Encontro de Gaiteiros, que decorreu em 2001, no Pinhal Novo.
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  Viagem Medieval  
Esta iniciativa decorreu no âmbito da "Viagem Medieval" entre 7 e 16 de Junho em Santa Maria da Feira. 
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  Lelia Doura  
Co-organizadora do evento, a Lelia Doura é uma associação sediada no Porto, que se dedica à divulgação da gaita-de-foles. 
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  Programa  
Reveja o Programa deste Encontro e a lista dos grupos  participantes.
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II Encontro Nacional 
de Gaiteiros

Santa Maria da Feira, 
dias 8 e 9 de Junho de 2002



Vendaval de Música em Santa Maria da Feira

Nos dias 8 e 9 de Junho de 2002, as Associações Lelia Doura e Gaita de Foles tiveram a oportunidade de organizar em terras nortenhas mais um Encontro Nacional de Gaiteiros, desta feita a segunda edição. Isso foi possível graças ao interesse demonstrado pela Câmara Municipal de Santa Maria da Feira em acolher e patrocinar o evento, tendo este sido integrado na Viagem Medieval, iniciativa realizada anualmente por esta Câmara Municipal.

Pela nossa parte não existem dúvidas quanto ao II Encontro Nacional de Gaiteiros: o seu sucesso conseguiu superar o que havia sido obtido na edição inaugural do evento em 2001 no Pinhal Novo – concelho de Palmela. Para esse sucesso contribuiu, em parte, o “cenário” onde o Encontro decorreu, que teve como “pano de fundo” o Castelo de Santa Maria da Feira e a colina verdejante que se espraia até bem perto de um rio Cáster discreto. A ajudar à festa só mesmo o ambiente próprio de uma Feira Medieval onde ganham vida as mais variadas recriações históricas. Neste “quadro” idílico só faltava mesmo a presença da música, em especial a das gaitas-de-fole...

Na véspera de partirem para Santa Maria da Feira muitos dos gaiteiros participantes no evento fariam os mais elementares preparativos próprios de quem é solicitado para tocar uma “gaitada”. De acordo com a sabedoria popular ligada a estas coisas da gaita-de-fole, antes de tocar é necessário colocar as palhetas de molho durante algumas horas, de preferência em aguardente: "Só assim é possível obter uma boa sonoridade", diziam. Os percussionistas, esses, dariam os últimos retoques na afinação das peles das caixas e dos bombos, companheiros indissociáveis do gaiteiro.

Joaquim Roque, de Torres Vedras e
 Emídio Gomes, de Miragaia.

À imagem do que sucedeu na primeira edição foram muitos os participantes convidados a rumar até Santa Maria da Feira e participar no II Encontro Nacional de Gaiteiros. 
Provindos da Estremadura (Península de Setúbal, Lisboa, Torres Vedras, Lourinhã e Tomar), região de Coimbra, cidade do Porto, Minho (Braga) e Trás-os-Montes, os cerca de 25 grupos e quase 100 músicos foram chegando com mais ou menos atraso ao local de “Encontro”.

Entre os participantes foi altura de reatar amizades criadas no ano anterior no Pinhal Novo: “– Eh lá...! ‘Tá cá este ano outra vez ?!” O ambiente animou-se com conversas desenroladas em amena cavaqueira e tudo soube melhor em torno de um almoço e de uma boa pinga que, curiosamente, quase ia faltando. Hum... Não se brinca com coisas sérias! 
O evento “abriu” precisamente com este almoço-convívio, reservado à organização e aos músicos. De um lado a comida e o alarido em torno dela, do outro as gaitas antigas dispostas sobre as mesas, assim como uma catrefada de caixas e bombos.
E pronto, já está... Terminada a refeição nem deu tempo para tomar o café sossegado e beber uma aguardentezita! O primeiro artista ensaiava já um toque modal com que ia iniciar a primeira gaitada do Encontro e a “legião” enorme de percussionistas agitou-se: procurava ofegante os instrumentos com que encheria de ritmo o espaço comensal. 

José Maria Fernandes, de Mogadouro

Eram sete ou oito para um gaiteiro, às vezes dois e mesmo três. A luta foi desigual mas os gaiteiros sobreviveram. Começou o ‘ti Roque, de Torres Vedras, com um Corridinho. De seguida tocou António Ribeiro – do Porto –, mais conhecido por “Toni das Gaitas”, e também “Toniber”, gaiteiro de Fonte da Vaca, Pinhal Novo... 

Os músicos sucediam-se, o mote estava dado e a animação prosseguiu na rua.

Uma vez cá fora toda a gente se concentrou em frente à sede da Viagem Medieval. O tempo estava farrusco, preparado para estragar a festa. Talvez São Pedro tenha ficado atónito com a música que se fazia cá em baixo e tenha resolvido ver o que é que isto ia dar pois a verdade é que durante o fim-de-semana o tempo lá se aguentou sem chuva, ainda que a forte probabilidade do céu nos cair em cima da cabeça fosse algo inquietante.
Mas não foi só o santo que terá ficado curioso. A restante feira despertou subitamente para a presença desses irredutíveis gaiteiros e companhia. Verdade seja dita: a imagem que se tem do gaiteiro não é propriamente a de um tipo discreto. Poderia sê-lo, teria é de tocar mais baixinho!

Na Exposição, o público pôde conhecer e experimentar gaitas de todo o mundo.

A tarde de Sábado foi um período livre destinado a que os participantes conhecessem o espaço da Feira. Antes disso, porém, foram convidados a dar uma vista de olhos à exposição de Gaitas-de-fole montada no âmbito do Encontro Nacional de Gaiteiros. O local revelou ser exíguo para receber a visita de tanta gente ao mesmo tempo mas ainda assim foi possível apreciar vários tipos de madeiras utilizados no fabrico das gaitas, foles diversos e algumas ferramentas de trabalho. Além disso estavam expostos exemplares de gaitas tradicionalmente tocadas na França, Bulgária, Suécia, Irlanda, Escócia, Tunísia, Portugal – a Gaita Transmontana ainda está viva – e Galiza.

Depois disto, sim, foi possível viajar por entre a Feira e admirar todas as personagens vestidas a rigor numa tentativa de nos transportarem para tempos medievais. Espalhados pelas várias barraquinhas de comida e de artesanato os gaiteiros lá iam viajando por sua própria conta ora tocando uma modinha, ora saboreando alguns petiscos.
O momento mais importante do evento decorreu na noite de Sábado, para a qual estava prevista a realização de um espectáculo cujo objectivo era reunir em palco (que acabou por ser um anfiteatro natural e agradável) todos os grupos convidados e dá-los a ouvir a quem estivesse disposto a tal. E eram muitas as pessoas interessadas. Dado o elevado número de gaiteiros participantes cada grupo pôde apenas tocar uma música.

José Albuquerque e Joaquim Pereira (Coimbra)

Como é normal nestes momentos a organização do evento agitou-se quando se aproximou a hora de começar o espectáculo. Não era caso para menos, pois a verdade é que se tratava de perto de uma centena de músicos que teria de entrar em cena. Havia, por isso, necessidade de concentrar toda a gente num mesmo sítio e ir chamando os grupos à medida que a sua vez se aproximava. A preocupação era só uma: não deixar fugir os gaiteiros que (oh, quantas vezes!) se afastavam mais do que o desejável, esgueirando-se para tomar uma bicazinha rápida (perdão, cimbalino) ou ir “verter águas”, o que é justo.

A verdade, contudo, é que o espectáculo também vive destas pequenas partidas. Estava tudo a postos então, apesar do nervosismo de alguns artistas.
A audiência, de pé e atenta, assistiu a um autêntico recital para gaita e percussão. E clarinete, já agora. Havia gaitas de todo o tipo – Transmontanas, Galegas e Coimbrãs (idênticas às Galegas em alguns aspectos, mas com características bem distintas) – e o repertório tocado foi vasto e diversificado, sendo que até um tango se tocou, imaginem! Para quem não esperava, aí está a prova de que a tradição portuguesa ligada à gaita-de-fole ainda está viva e recomenda-se.

Enfim, depois da tempestade gaiteiril de Sábado veio a bonança, como diz o dito. Mas só de manhã... Domingo, pela hora do “repasto”, já a rapaziada estava novamente agrupada, alegre como sempre. A coisa tremeu ao início da tarde com o aparecimento de chuva miudinha que ameaçou comprometer o desfile de encerramento. Nada de receios. O santo também tem direito a uma sesta...

Passaruas pelos Gaiteiros de Terrim (Palmela).

"– Olha, olha! São Os Unidos da Paródia!". Os Zés-Pereiras chegavam de Amarante para se juntarem aos de Braga e assim ajudarem nos festejos. Os gigantones ou cabeçudos estavam prontos, os roncos soavam já, os dedos dos gaiteiros animaram-se subitamente e a música apoderou-se de Santa Maria da Feira. A multidão acotovelava-se para ver o desfile, encabeçado pelos cabeçudos. Atrás iam os Gaiteiros Nacionais do Porto com vestes aprumadas e dispostos a rigor. O desfile alongava-se à medida que avançava pelas ruas e cada grupo esforçava-se por se divertir, o que não foi difícil.

Os gaiteiros invadiram Santa Maria da Feira... 

Os gaiteiros transmontanos de Constantim desfilavam macambúzios mas deram nas vistas pela quantidade de gaitas transmontanas que tocaram em conjunto. E fizeram-no afinadinhos! Só é pena que o "‘ti Chico Gato" (o gaiteiro mais idoso presente no Encontro) não tenha tido forças para tocar nessa tarde, embora tenha acompanhado o desfile de perto, ainda que devagarinho...
Na cauda do pelotão havia mais Zés-Pereiras: eram os de Braga. Aí iam eles com os seus gigantones, que não se cansavam de brincar com a populaça. Rodopiavam numa dança incessante, simulavam quedas sobre as cabeças dos “mirones”, os braços voavam livres apanhando quem caminhava desprecavido. 

O desfile aproximava-se do fim (e com ele o evento) e ao percorrer-se uma das últimas ruas era possível avistar o Castelo lá no alto com a sua arquitectura fora do comum, tal qual o que Santa Maria da Feira pôde presenciar nesse fim-de-semana. Pela tardinha já só se pensava no regresso a casa (para muitos a viagem ainda era longa) e em comprar algo para ir depenicando no caminho. Por que não uma fogaça?

A ver vamos o que nos espera para o próximo ano. Uma certeza: as Associações Gaita de Foles e Lelia Doura esforçar-se-ão por levar o III Encontro Nacional de Gaiteiros a outras terras portuguesas como forma de mais bem divulgar este instrumento que tem tanto de mistério como de beleza: a Gaita-de-fole.
Assim sendo, estejam atentos... Até lá!

Francisco Pimenta

 


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