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Programa |
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Fermoselle (Espanha)
Quinta, 3 de Agosto
Plaza Mayor (Plaza Calvo Sotelo)
22h00/22h45
Tamborileiros de Fermoselle (Sayago)
23h00/24h00
DRD (Astúrias)
Sendim (Portugal)
Sexta, 4 de Agosto
Exposição - Casa da Cultura de Sendim
10h00-20h00
Instrumentos Musicais Populares em Contextos Religiosos na Terra de
Miranda
10h00-20h00
Gaitas de Foles da Europa (Colecção de Henrique Fernandes)
Animação de Rua
Largo da Praça/Parque das Eiras
21h30-22h00
Grupo de Gaiteiros de Constantim (Miranda)
Parque das Eiras
22h00/22h45
Célio Pires (Miranda)
23h15/00h15
Hexacorde c/ Vanessa Muela (Castela/Leão)
00h30/01h30 Lunasa (Irlanda)
Taberna dos Celtas
Caminho do Prado
01h30/02h30
Biba la Gaita!...
Sábado, 5 de Agosto
Exposição
Casa da Cultura de Sendim
10h00-20h00
Instrumentos Musicais Populares em Contextos Religiosos na Terra de
Miranda
10h00-20h00
Gaitas de Foles da Europa (Colecção de Henrique Fernandes)
Visitas Arqueológicas
Ifanes/Bila Chana de Barciosa/Palaçuolo
09h30-13h00
Santuários Rupestres Pré-históricos de Miranda do Douro
Concerto Comentado
Salão Nobre da Junta
15h00-16h15
Jambrina & Madrid: Instrumentos Tradicionais de Zamora
Carreira de la Lhengua
Cafés de Sendim
16h30-18h00
Poesia, Lhonas, Cuntas,
Lindainas…
Desembarque de Tamborileiros
Pisões (Rio Douro)
15h30-16h15
Tamborileiros de
Fermoselle (Sayago)
Música na Praça
17h00-18h00
Tamborileiros de
Fermoselle (Sayago).
Workshop de la Lhengua
Salão Nobre da Junta
18h00-19h30 Amadeu Ferreira ensina a falar Mirandês
Animação de Rua
Largo da Praça/Parque das Eiras
21h30-22h00 Banda de Gaitas y Tambores Beato Fray Pedro Soler (Múrcia)
Parque das Eiras
22h00/22h50
Mielotxin (Navarra)
23h15/00h15
Berroguetto (Galiza)
00h30/02h00
Hevia (Astúrias)
Ranacalhada
Parque Eiras/Taberna dos Celtas
02h00/02h30
Cortejo dos Ranacalhos
Taberna dos Celtas
Caminho do Prado
02h30/03h00
DRD: Um Serão Asturiano
Domingo, 6 de Agosto
Exposição
Casa da Cultura de Sendim
10h00-20h00
Instrumentos Musicais Populares em Contextos Religiosos na Terra de
Miranda
10h00-20h00
Gaitas de Foles da Europa (Colecção de Henrique Fernandes)
Missa - Igreja Paroquial
13h30-14h30
Missa Solene de Andavias (Zamora)
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7º Festival Intercéltico
de Sendim
3 a 6 de Agosto, em Sendim
e Fermoselle |
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Os irlandeses Lunasa são um dos regressos mais
aguardados em Portugal.
Em Sendim, no Planalto Mirandês, realiza-se pela
sétima vez o Festival Intercéltico de Sendim, de 3 a 6 de Agosto.
Para a edição de 2006, a programação surge com uma novidade; desta
vez, o festival começa em Espanha, na localidade de Fermoselle,
fazendo uma homenagem às relações transfronteiriças que sempre marcam
a cultura dos povos da Raia - de que Miranda do Douro é um exemplo.
Desde tempos que já se perdem nas memórias dos mais velhos, que as
gentes de ambas as localidades se encontram regularmente, partilhando
vivências e convívios. E sempre se estabeleceram entre ambas as
comunidades as mais diversas relações económicas, culturais e sociais,
potenciadas pela proximidade física (ambas se encontram em pleno
coração das Arribas do Douro, no Parque Natural do Douro
Internacional). No cartaz deste ano o prato forte são os grupos
musicais provenientes de Espanha e da Irlanda: Tamborileiros de
Fermoselle (Sayago); DRD (Astúrias); Célio Pires (Miranda, Portugal);
Hexacorde (Castela-Leão); Lunasa (Irlanda); Mielotxin (Navarra);
Berroguetto (Galiza) e Hevia (Astúrias).
Lunasa
(Irlanda)
Sexta, 4 de Agosto
-
Parque das Eiras
A
partir de 2002, ano da edição do álbum Merry Sisters of Fate (gravado
e editado pela Green Linnet, este disco foi premiado pela Association
for Independent Music, sediado nos USA, como melhor álbum na categoria
de “British/Celtic Music”), os Lúnasa passaram a editar com
satisfatória regularidade os seus trabalhos discográficos,
seguindo-se, em 2003, Redwood, que foi concebido em Outubro de 2001,
durante a estadia do grupo num rancho californiano, pertencente a Matt
Greenhill. A ideia era simples: documentar o impacto das actuações ao
vivo na música do grupo. Este trabalho ficaria marcado por uma série
de problemas com a editora norte-americana, a Green Linnet, tendo
surgido com três edições: pela Green Linnet, por uma editora japonesa
e pelo próprio grupo (na Compass Records), sendo esta ultima a versão
que continua disponível.
Entretanto, em 2004, seria publicado o extraordinário álbum The
Kinnity Sessions, gravado no Kinnitty Castle (County Offaly), em
Dezembro de 2003, a o vivo (para um publico convidado), mas tendo sido
apagado para a edição final tudo quanto indiciasse tratar-se de um
álbum gravado ao vivo. Trata-se de um trabalho que continua a fazer
jus ao nome escolhido – que designa, também, em gaélico, o nome do mês
de Agosto. Lugh, heróico guerreiro, poderoso mágico e deus solar, era
também um excelente músico que, na harpa, executava com divinal
mestria, as três melodias fundamentais da música irlandesa: melodias
para chorar, melodias para adormecer e melodias para alegrar. Pelo que
não surpreendem nem pecam por exageradas a palavras de apresentação
insertas neste The Kinnitty Sessions: Preparem-se para experimentar a
radical reinvenção da música tradicional irlandesa na sua forma mais
pura – nada de overdubs, de truques de estúdio. Gravado na presença de
um auditório de convidados no interior das supostamente assombradas
paredes do Kinnitty Castle, na Irlanda. The Kinnitty Sessions
documenta um grupo no auge dos seus poderes. Com a imaculada
fidelidade de um álbum de estúdio e a tempestuosa intensidade do
ambiente de um concerto, o virtuosismo instrumental, arranjos
intrincados e a energia rítmica que definem Lúnasa, que foram elevados
a um nível de urgência e de ousadia. Trata-se do seu mais dinâmico e
imediato álbum: quem ainda não ouviu The Kinnitty Sessions ainda não
ouviu, verdadeiramente, os Lúnasa!
Entretanto, em Dezembro de 2004, Donog Hennessy saiu para trabalhar
num projecto com Pauline Scanlon (ex-Sharon Shannon Band), sendo
substituído por Paul Meehan, um guitarrista e tocador de banjo,
natural de Middletown (County Armagh), que integrou a Karan Casey Band
(criada pela cantora após a sua saída dos Solas). Paul Meehan
participou na gravação dos dois primeiros álbuns do grupo North Cregg,
tendo ainda colaborado com muitos outros artistas da folk. Finalmente
(que não em definitivo!...), em Fevereiro de 2006 foi publicado o
sexto álbum do grupo, intitulado Sé, um trabalho gravado em Amberville
(Cullybacky, Irlanda do Norte) e nos Marguerite Studios (Dublin), com
produção de Trevor Hutchinson e colaborações de Tim Edey (guitarra),
Conor Brady, Pat Fitzgerald (teclados) e Karl Ronan (trombone).
Mielotxin (Navarra)
Sábado 5 de
Agosto -
Parque das Eiras
Mielotxin
é o nome de uma personagem central dos populares carnavais que se
realizam em Lantz, povoação situada a cerca de duas dezenas de
quilómetros da cidade de Pamplona. Segundo rezam as crónicas da
etnografia local, um bandido histórico da região, chamado Miel Otxin,
teria sido um dia capturado, julgado e condenado pelo povo. De muitos
anos a esta parte, a sua cara acaba sempre por ser queimada no final
das celebrações carnavalescas, como símbolo da derrota dos
malfeitores.
Ao criar Mielotxin – explica Iñigo Aguerri, membro fundador e líder do
grupo - o objectivo principal era o de conseguir manter activo um
grupo estável em Navarra, capaz de contribuir par abrir o panorama
musical existente nestas terras, baseando-se não só na nossa tradição
musical mas também em composições próprias e procurando, pouco a
pouco, dar-se a conhecer fora das suas fronteiras. E quisemos de
alguma maneira recolher o testemunho deixado por um grupo que se
dissolveu há muitos anos, chamado Numídia, pois creio que Navarra é
uma terra que esteve muito abandonada no que se refere à música folk.
E é algo paradoxal, pois sempre que se recuperaram temas daqui, isso
foi da responsabilidade de músicos não navarros, pelo que nos parece
que já é tempo de se ir colmatando esta lacuna.
Seria determinante para a construção da personalidade musical dos
Mielotxin esta consciência de fortes implicações culturais sobre o
panorama folk na Navarra, de algum modo se consubstanciando numa
espécie de mandato de acção susceptível de inverter a situação. O que,
na folk, se nos afigura de irrecusável relevância, uma espécie de
postulado ou paradigma que, se ignorado, inviabiliza em grande parte o
desejável enraizamento expressivo (localização espacial). Iñigo
Aguerri faz questão de ter bem presente o facto de a Navarra se
encontrar numa situação geográfica muito especial, sujeita a múltiplas
influências culturais, o que de modo algum pode ser ignorado ou
menosprezado, podendo mesmo constituir um factor multiexpressivo de
enorme importância criativa.
Berroguetto (Galiza)
Sábado 5 de Agosto -
Parque das Eiras
"Nós
gostamos de oferecer algo mais do que um trabalho exclusivamente
musical, gostamos de dotar a música de um conteúdo extra-musical e é
por isso que procuramos montar este disco em torno de um eixo central
e misturar a música com outras disciplinas artísticas". Tal foi o caso
de George Rousse, um artista francês em cuja técnica se conjugam a
arquitectura, a pintura e a fotografia, cuja intervenção, para a
definição da imagem do álbum Hepta, contou com a colaboração do Centro
Galego de Arte Contemporânea.
O espaço escolhido foi a centenária fábrica de cerâmica de Sargadelos,
no Lugo, criadas em 1791 por António Raimundo Ibáñez, Marquês de
Sargadelos, que constituem preciosos exemplares da revolução
industrial em terras de Espanha. Durante cerca de uma semana, George
Rousse interveio num dos históricos edifícios da fábrica e o grupo
viveu, dia a dia, o sortilégio da experiência criadora da qual
resultou toda a imagem do disco: a capa, o conceito gráfico geral e as
obras de arte fotográfica que o ilustram. Trata-se, portanto, de uma
proposta ideográfica: arranca do número mágico (em grego, hepta)
porque os músicos do grupo são sete, as notas musicais são sete, as
cores são sete, as belas artes são sete e ao sétimo dia revelou-se uma
xeometria heptacéfala, completa metamorfose dos agoiros oraculares nos
pétalos encarnados da flor da realidade.
Trata-se uma vez mais de um trabalho essencial de composição: Anxo
Pintos (Nanatsu, Hebdomadária e Azul Grasso), Santiago Cribeiro (Vinte
Anos), Quim Farinha (Heptacordo), Guadi Galego (Baixando de Ti,
Setestrelo e Alquimista de Soños, estas duas em parceria com Guillermo
Fernández), Quico Comesaña (Galimatias.Tacom), Isaac Palacín/Quico
Comesaña/Guillermo Fernández (Albores) e Guillermo Fernández (Quim
Farinha (Armenia, sobre uma improvisação de Jivan Gasparyan). Apenas
um tema de origem tradicional foi incluído: Cantos de Monzo.
Em Hepta, álbum editado em 2001, registam-se as seguintes
colaborações: Jivan Gasparian (músico arménio, tocador de duduk, um
instrumento de sopro), Markus Svenson (músico sueco, tocador da
nickelharpa, um antigo instrumento tradicional sueco de teclas e
cordas, parecido com o violino), Kalman Balogh (músico húngaro, um
virtuoso do cimbalom, instrumento tradicional muito popular na área
balcânica), Kim Garcia (contrabaixo e baixo eléctrico), Xavier Díaz
(voz) e Luís Palacin (harmónica)
Berrogüetto… a excelência da folk galega com explosões de criatividade
que são garantia fundamental para um processo de renovação com
horizontes de futuro.
Hevia (Astúrias)
Sábado 5 de Agosto -
Parque das Eiras
Quando
surgiu o disco Étnico Ma Non Troppo, em 2003, no qual participaram, à
semelhança do anterior, figuras conceituadas da folk – tais como os
Tenores de Bitti, o grupo Muyeres, o guitarrista de flamenco Juan
Manuel Canizares, Mari Luz Cristobal Caunedo e Tino di Geraldo, entre
outros – tinham decorrido já dois anos sobre Al Otru Llao, facto que
José Angel Hevia comentou então em termos inequívocos: "Há gente que
faz discos numa semana mas eu não o sei fazer. De facto, preciso de
dois anos para fazer um disco. Tendo em conta que a anterior digressão
começou imediatamente após a saída do disco e que estas digressões
nunca se sabe quando terminam, parece-me normal que assim suceda.
Durante esse tempo vou recolhendo temas e ideias para o que ira ser o
disco seguinte mas levam sempre uma meia dúzia de meses a trabalhar,
uma espécie de pré-produção no meu estúdio caseiro, e depois preciso
de mais um ano para a gravação e arranjos nos estúdios da editora, que
costumam além disso decorrer em distintos países, pelo que leva o seu
tempo."
Quando esta obra foi publicada, a imprensa considerou que se tratava
de um trabalho de continuidade, no qual o compositor e instrumentista
reassumia anteriores coordenadas, numa linha de vivência que ele fez
questão de esclarecer:
"Tierra de Nadie foi um disco que alcançou um grande sucesso mas eu
não gosto de falar disso como se fosse uma moda. Tratou-se de um
fenómeno que se desenvolveu a partir de finais dos anos 70, ou seja,
se hoje se conhece Carlos Núñez ou Luar na Lubre foi porque primeiro
existiu Milladoiro e uma escola de instrumentos no Concelho de Vigo,
de onde saíram Núñez, Budiño, Anxo, de Berroguetto… e nas Astúrias
aconteceu o mesmo. Tudo isto foi possível porque há toda uma geração
por trás.
Creio que continuo a fazer, no meu dia a dia, a musica como sempre o
fiz. Muitas vezes faço-a a partir de uma melodia tradicional e noutras
ocasiões a partir das melodias que me vão surgindo e sem antecedentes
na tradição. De qualquer modo, e através destas duas vias que eu
procuro chegar a coisas muito semelhantes. Quanto ao título, étnico
significa, em primeiro lugar, o assumir de uma etiqueta que se tem
vindo a colocar na música, étnica. Que também é chamada de celta,
música folk ou também “novas músicas”; mas étnico é um termo muito
utilizado para designar aquilo que eu faço. De modo que eu aceito um
pouco essa etiqueta, mas não em demasia. Porque essa não é a bandeira
nem a religião que elegemos no momento em que começámos um tema."
Célio Pires (Miranda,
Portugal)
Sexta, 4 de Agosto -
Parque das Eiras
Célio
Pires nasceu em 8 de Janeiro de 1976 na aldeia de Constantim, aldeia
situada na raia seca do concelho de Miranda do Douro, no seio de uma
família que nos tempos livres deixados pelas actividades agrícolas se
consagrava a momentos de festa e de alegria, com a indispensável
presença da música tradicional mirandesa. Seu pai foi um apreciado
tocador de castanholas, caixa de guerra, bombo e realejo, bem como um
dançador de reconhecidos méritos. Especialmente recordado é um seu
tio-avô, com a alcunha de Tiu Argana, que trabalhava a madeira como
poucos e que Célio Pires evoca de modo assaz esclarecedor:
"Ainda por parte do meu pai, existia um tio-avô dele que era um dos
melhores torneiros da região, a par do Tiu Fuseiro, de Genísio. O Tiu
Argana trabalhava a madeira divinamente, sobretudo na construção de
fusos, de peões, de “fraitas” e de gaitas de foles. O torno, como é
evidente, era (e ainda é) de madeira, movido a pedal, com uma roda
pedaleira feita a partir de um moinho de água, porque nessa altura não
havia jantes de carros e se a roda pedaleira fosse de madeira não
tinha o peso suficiente para dar a meia volta que o pé não acompanhava
e tinha uma correia, feita de pele de vaca, para ligar a parte
superior para dar rotação ao pau que ia ser trabalhado."
Situados no domínio da construção de instrumentos, actividade que
sempre fascinou Célio Pires, ficamos a saber que se encontram na sua
posse uma broca com quatro esquinas feita pelo Tiu Argana e por um
ferreiro de Constantim (terra onde sempre houve uma forja pública,
além de duas particulares) e utilizada para a furação interior das
ponteiras. Como o Tiu Argana não deixou filhos, todos os seus bens
foram entregues a uma sobrinha (da qual recuperou as brocas e as
ferramentas), tendo ainda conseguido recuperar a roda pedaleira
(perdendo-se, porém, a estrutura do torno). Trata-se, de facto, de um
paixão que Célio Pires sempre devotou aos instrumentos musicais
populares da sua terra.
DRD (Astúrias)
Hexacorde (Castela-Leão)
Sexta, 4 de Agosto -
Parque das Eiras
"Há
cem anos atrás havia um tipo de música que, poderíamos dizer, era mais
caseira, quando as pessoas se juntavam para cantar, tocar e para se
divertirem. O que os músicos da altura fizeram foi adaptar esses
ritmos que vinham de fora, sobretudo os “agarraos”, e isso foi uma
mudança muito importante. E nós, agora, o que estamos a fazer é pegar
nessa música de raiz e misturá-la de outra maneira, ornamentando-a
para que soe diferente."
Quando surgiu o álbum de estreia dos Hexacorde, intitulado Perpetuum
Mobile e publicado em 2004, desde logo ficou claramente definida a
postura do jovem grupo em termos de actualização de repertórios
tradicionais e de inscrição de novas composições em contextos
expressivos de uma herança-legado de um tempo presente: "O motivo da
criação deste grupo resultou do interesse dos seus integrantes pela
procura de uma nova sonoridade, servida por arranjos inovadores, para
recriar e divulgar o imenso repertório tradicional da música de
Castela e Leão. Porém e pese embora o facto de alguns dos músicos de
Hexacorde serem oriundos de formações musicais claramente
tradicionais, o projecto incidia na busca de um som inovador, com
arranjos suficientemente atrevidos de modo a evidenciarem uma
inequívoca intenção de renovação mas conservando, em simultâneo, os
elementos musicais que caracterizam a música tradicional castelhana.
Assim, depois de alguns anos de elaboração de um repertório de
recuperação de temas tradicionais e de arranjos dos mesmos, Hexacorde
começou a compor temas próprios aplicando estruturas, ritmos ou
motivos da tradição musical castelhana sobre melodias e harmonias
totalmente novas e de autor. Deste modo, os temas resultantes
conservam os elementos musicais que caracterizam a música castelhana,
conformando em simultâneo um novo repertório à base de “entradillas”,
“brincaos”, “jotas”, “ajechaos”, “polkas”, “pasodobles”, “fox-trot”, “pasacalles”,
“titos”, “bailes de rueda”… E a prova advém do acompanhamento, em
diversas actuações, de um ou mais pares de baile tradicional
castelhano que, sem preparação prévia, são capazes de executar os
bailes completos sobre estes novos temas. Além disso, os elementos do
grupo especializaram-se no acompanhamento com música tradicional de
diversas celebrações sociais, tais como cerimónias religiosas, “dianas”,
passacalhes, romarias, actos institucionais, etc."
DRD (Astúrias)
Sábado 5 de
Agosto -
Taberna dos Celtas
Violino,
bouzouki e flauta, eis os alicerces instrumentais de um trio de
virtuosos que trabalham tendo por base o repertório instrumental
asturiano e que fazem adaptações de temas cantados, com especial
predilecção pelo repertório da região ocidental asturiana. Os
propósitos foram, logo desde o início, claramente enunciados: DRD quer
abrir uma nona porta no campo expressivo da folk acústica asturiana. O
seu estilo caracteriza-se por uma grande efervescência criativa, que
garante a multiplicidade das propostas, as diversas focagens e a
existência de distintas motivações no momento de se aproximarem dos
repertórios eleitos, desde as mais festivas às mais puramente
artísticas. Mas dentro desta notável variedade, é de assinalar o facto
de os grupos que estão agora activos nas Astúrias se apresentarem sob
a forma de agrupamentos relativamente numerosos: das bandas de gaitas
aos grupos-padrão folk (constituídos nas Astúrias por uma base rítmica
de cordas, voz e três ou mais instrumentos melódicos), os músicos
tradicionais não se afastam nem do repertório nem do fundo cultural,
mas sim da forma.
Durante algum tempo – demasiado tempo, dirão os mais conhecedores da
cena folk asturiana – escassearam as formações instrumentais
verdadeiramente inovadoras, verificando-se uma preponderância das
formações básicas de duos de gaita e tambor, de conjuntos de canto e
pandeiretas, assim como das bandinas tradicionais (com instrumentais
integrando acordeão, clarinete, gaita e percussão). De facto, quer a
música vocal quer a música instrumental encontravam-se praticamente
limitadas a estas combinações básicas e é justamente neste contexto de
formato simples - que não simplista! – que Dolfu Fernández, Ruben Bada
e Diego Pangua, ao criarem o trio DRD, se propuseram explorar e
recuperar para a musica folk mas sem renunciar a riqueza harmónica que
advém de instrumentos recentemente aproximados à tradição, como e o
caso do bouzouki e da guitarra.
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