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II Festival Intercéltico 
de Vizela

Vizela, 4 e 5 de Julho de 2003



Barahunda (Espanha)

O II Festival Intercéltico de Vizela acontece nos dias 4 e 5 de Julho. Um festival que reúne grupos de música folk, com uma atenção especial a grupos portugueses que se têm revelado recentemente, bem como grupos estrangeiros já conhecidos pela sua qualidade: Lenga-Lenga, Ódagaita, Barahúnda, Berrogüetto, LLangres - apesar da música e dos instrumentos nada terem a ver, nem sequer remotamente, com celtas, o rótulo mítico permanece - mas o importante é a música e esta edição promete muita e boa.

4 de Julho de 2003
Animação de Rua 21h30 Lenga-Lenga: Gaiteiros de Sendim (Portugal)
Praça da República 22h00 ÓdaGaita (Portugal) 
23h00 Barahúnda (Castela-Espanha)
Bosque dos Druidas 00h00 Lenga-Lenga: Gaiteiros de Sendim
Músicos das Bandas Intervenientes

5 de Julho de 2003
Animação de Rua 17h00 Banda de Gaitas da Galiza
Animação de Rua 21h30 Banda de Gaitas da Galiza
Praça da República 22h00 Llangres (Astúrias-Espanha)
23h00 Berrogüetto (Galiza-Espanha)
Bosque dos Druidas 00h00 Lenga-Lenga: Gaiteiros de Sendim
Músicos das Bandas Intervenientes

Actividades Paralelas
Feira do Disco Folk
Praça da República 21h30-24h00

Grupos

ÓDAGAITA
Viajantes da Tradição

A (re)descoberta da nossa música tradicional tem vindo a constituir um poderoso estímulo à criatividade das jovens gerações de músicos portugueses, pese embora o facto de haver já um longo caminho percorrido desde José Afonso até às mais seminais formações da folk portuguesa (onde continua a pontificar a Brigada Victor Jara). Porém, importa reconhecê-lo, só muito recentemente é que se tem vindo a registar um incremento da inspiração e da criação com base nos cânones da música tradicional portuguesa, ou seja, com um sentido artístico que radica no reconhecimento da necessidade de procura de uma identidade expressiva que afaste os processos da homogeneização que derivam dos aspectos mais negativos da globalização (que, em si considerada, não apresenta apenas aspectos negativos, bem pelo contrário). Uma identidade dialogante e, por conseguinte, susceptível de se enriquecer no contacto com outras culturas, naturalmente, porque não faz mais sentido (se é que alguma vez, na inexorável marcha da história, o fez!) pensar e actuar de forma isolada ou ignorando contextos interactivos de secular existência.

Partilhar sensações

Òdagaita acredita que a música tradicional portuguesa tem ritmos que permitem partilhar sensações com outras músicas tradicionais, com outros povos, com outras culturas.
O grupo foi criado em 1996 e com uma opção deliberada pelos instrumentos acústicos e um intencional recurso aos textos dos poetas populares, tendo por base a formulação de uma proposta de criação enraizada numa realidade bem portuguesa. O seu primeiro disco, ainda com uma formação reduzida a quarteto, integrou composições de autores conhecidos simplificando e adaptando os arranjos ao som dos instrumentos.
O grupo recebe a experiência dos seus integrantes de forma equilibrada e potenciadora de enriquecimentos expressivos justamente retirados das experiências individuais (sobretudo notórios ao nível das próprias composições). João Frazão, que assume a direcção musical de Ódagaita, fundou em 1987 o grupo Cinco e Vira, consagrado à música tradicional portuguesa, seguindo-se estudos no Hot Club de Portugal. Em 1995 colaborou com João Afonso na gravação do disco Barco Voador bem como nas peças incluídas nas colectâneas Voz e Guitarra e Novas Vos Trago (entre 1995 e 1998 integrou a digressão internacional de João Afonso e em 2001 regressou aos estúdios para o acompanhar na gravação do seu terceiro disco). Pelo caminho ficaram colaborações com a banda de Roberto Leal, com o grupo Tanimara e com Rita Guerra e Beto (direcção musical do espectáculo realizado por este duo). João Frazão, que assegurou também a direcção musical da série televisiva da RTP Segredo de Justiça, assumiu idênticas funções nos Ódagaita a partir de 1999.
Doc Frazão, um autodidacta dedicado ao estudo e execução dos instrumentos tradicionais de percussão, também integrou o núcleo fundador dos Cinco e Vira, seguindo-se a sua participação na Banda do Maltês, grupo com o qual participou na colectânea É tão bom ser pequenino (grupo este foi finalista no concurso realizado pela RTP intitulado Reis do Estúdio)
no qual também se encontrou com outros dois elementos actuais de Ódagaita: Abílio Caseiro, responsável pelo cavaquinho, guitarra portuguesa, bandolim e gaita de foles; e Pedro Cordeiro, a voz principal.
Ao quarteto de elementos ex-Cinco e Vira e ex-Banda do Maltês juntaram-se Marco Jung (bateria e percussões) e Rui Rechena (baixio eléctrico). O primeiro pode bem considerar-se um verdadeiro viajante da música, tendo participado nos mais diversos projectos musicais levados a cabo nos mais variados países (Alemanha: Three of us; Canadá-França: Les Guidunos; França-Guadalupe: Red Line; França-Alçemanha-Holanda: The Ward Brothers; e Holanda: The Funky People). Quanto a Rui Rechena, tendo estudado no Hot Club de Portugal, colaborou com grupos como Aguarela e Tanimara e participou em vários trabalhos de bandas e artistas como Pilar Homem de Melo, Sacerdotes de Alquimia, Caravana e Rita Guerra, entre outros.
Em 2002, Ódagaita apresentou, já como sexteto, o seu segundo trabalho discográfico, intitulado Histórias de Viajantes, basicamente integrando temas originais (num total de nove composições), aos quais se juntaram a versão de um tema tradicional proveniente na Nazaré e de um tema de homenagem a José Afonso.

Abílio Caseiro cavaquinho, guitarra portuguesa, bandolim, gaita de foles, voz
Doc Frazão percussões, voz
Pedro Cordeiro voz 
João Frazão guitarras, baixo eléctrico, teclados, voz
Marco Jung bateria e percussões
Rui Rechena baixo eléctrico

Discografia
1998 Ódagaita 
2002 Histórias de Viajantes (Ódagaita-001)
2002 Histórias de Viajantes (Disco promocional com 3 temas)


BARAHÚNDA
A Nova Tradição Musical



A nossa descoberta do grupo Barahúnda aconteceu através do prestigiado Concurso Folk “Cuartu los Valles”, que se realiza em Navelgas, nas Astúrias, graças a um disco documental editado pela organização do evento no qual foram incluídos dois temas do grupo, justamente um dos vencedores do concurso.
Intencionalmente procurando inserir-se no campo da “nova tradição musical”, os Barahúnda apresentam-se deliberadamente apostados em contribuir para a abertura de amplos horizontes expressivos cruzando ambientes arábico-andaluzes, canções sefarditas e jotas castelhanas com cantigas galaico-portuguesas e composições próprias. O que surge de sobremaneira evidenciado como sendo directamente determinado pelas trajectórias dos elementos do grupo, portadores de experiências tão múltiplas como diferenciadas que foram equilibradas de forma francamente invulgar no projecto colectivo. Daí o facto de assumirem a sua inserção numa nova tradição musical, integradora e não fusionista.

Do individual ao colectivo

Barahúnda foi criado em Madrid em meados de 1998 sob a forma de duo e integrando elementos provenientes do grupo Trasgo, Helena de Alfonso e Miguel Casado. Se aquela se assumia como compositora e cantora com sólida formação clássica, com uma carreira iniciada nos domínios expressivos da chamada pop acústica (destacando-se a sua passagem pelos Aura), o segundo trazia consigo não só a fama de reconhecido construtor de instrumentos musicais mas também a dinâmica de divulgação da música tradicional, aliada a talentosas execuções com instrumentos como a mandola, bouzouki, saz e pandeiro. O que seria determinante para a definição do projecto do grupo na área da música tradicional, como referiu, anos depois, Helena de Alfonso, reflectindo sobre a sua própria experiência: Passei já muitos anos envolvida com a música folk e a música tradicional. Sempre me pareceu muito interessante o resgate das coisas que estão adormecidas. Sempre suscitou muito a minha atenção toda a mistura que se encontra na nossa cultura.
A consciência desta multiculturalidade tem vindo a revelar-se como sendo um poderoso factor de renovação da folk europeia. E ao demarcar-se das tentações (con)fusionistas (mistura é – deve ser – diferente de fusão) da maior parte da world music dos nossos tempos, muito tem vindo a contribuir para a clarificação das vias de compromisso com seculares interacções culturais. Manuel Carro, que passou pelos Barahúnda, corroborou a voz do grupo nos seguintes termos: Temos uma mistura de várias fontes, umas tradicionais e outras modernas e actuais. Existem muitas músicas interessantes dentro da Península Ibérica e pensamos que todas têm qualidade e entidade suficiente para serem plasmadas ou revividas.
Manuel Carro, que fizera parte dos Fódete Xestas, e José Luís Escribano, um ex-Alif, juntaram-se ao duo quase de seguida, a convite dos fundadores. Manuel Carro participou em diversas formações e grupos de música tradicional galega, tendo mesmo sido professor de gaita (toca as gaitas galega e búlgara, bem como flautas de madeira, darbouka e tar) na Abrente Galego, uma associação cultural particularmente activa sediada em Madrid. José Luís Escribano, por sua vez, é um virtuoso das percussões arábico-orientais (darbouka, zarb e tabla), tendo passado por grupos como Aldrabice, Bembe e Alif, entre outros).
O quarteto seria reforçado, em princípios de 2001, por Jota Martinez (um apaixonado da sanfona que teve como mestres Rafa Martin, Isabelle Pignol, Pascal Lefeuvre, Nigel Eaton e Valentin Castrier), um músico que actualmente reparte o seu tempo com grupos de teatro de rua e com grupos musicais comos Balbarda, Enkordio e Canto Figurado, entre outros. E, em princípios de 2002, registar-se-ia a entrada de Paco Benítez, um baixista com larga experiência de trabalho com gente como Javier Andreu, Ricardo Miralle e Javier Bergia, bem como com o grupo El Mecánico del Swing.
No entanto, ainda em 2002, o desenvolvimento de projectos pessoais levou Miguel Casado e Manuel Carro a deixarem o grupo, sendo substituídos por António Toledo e Dário Palomo. Aquele formou-se em guitarra clássico no Conservatório Manuel de Falla, em Cádiz, tendo trabalhado vários anos com Javier Ruibal e gravado/actuado com Joaquin Sabina, Joan Manuel Serrat, Miguel Rios, Martírio, Pedro Guerra, Ismael Serrano, Chano Domínguez, Jorge Pardo, Vicente Amigo, Luís Pastor e José Mercê. O segundo, um clarinetista de formação clássica, adquiriu experiência em várias formações das chamadas “nuevas músicas” bem como na música para cinema (tendo sido premiado em Escalona, um dos mais prestigiados certames cinematográficos de Espanha).
Em face das experiências e dos percursos pessoais dos diversos integrantes do grupo, resulta francamente possível avançar-se para os domínios expressivos da confluência de múltiplas influências e distintas sensibilidades que se unificam e encontram um som próprio, depurado e elegante nos arranjos (colectivos), um som ecléctico que é, inegavelmente, fruto de uma mestiçagem que procura desligar-se de propostas excessivamente tradicionalistas ou forçadamente renovadoras, misturando e cruzando rasgos ibéricos actuais com músicas recolhidas da diáspora sefardita, reminiscências medievais e árabes, composições próprias e de colaboradores próximos do grupo.
Barahúnda tem consciência de que se propôs avançar para caminhos nada fáceis de percorrer mas suficientemente aliciantes para serem força impulsionadora: Trata-se de uma proposta ousada, com horizontes abertos e conjugando interacções de seculares origens nem sempre bem resolvidas quando se passa para os domínios da música ou da arte em geral. Daí que o grupo não transija na defesa de uma atitude que lhes é particularmente cara: A música tradicional assume aspectos que é necessário revelar, tentando que refloresça uma árvore velha e deixando, se for preciso, as suas raízes expostas ao ar.

A música ao lado do povo…

Tentámos proporcionar uma visão revitalizadora da música de raiz ibérica, sem procurar um significado exacto para esta denominação, porque a música tem de percorrer um caminho de horizontes alargados. Neste trabalho oferecemos novas leituras de temas que foram recolhidos de gravações de campo, de temas que sobreviveram ao tempo e à distância na diáspora sefardita e composições do grupo e de colaboradores próximos que procuram aproximar-se dos sons da uma tradição que desgraçadamente está em vias de desaparecimento. Tentamos sempre efectuar o nosso trabalho a partir de uma atitude de respeito com essa tradição, mas em ficarmos limitados por ela. O que, inevitavelmente, suscita situações de compromisso e de risco. Aceitamos com gosto esse risco se se conseguir dar a conhecer, pelo menos, uma porção por mínima que seja de uma memória que de outra maneira se perderia.
Foi deste modo que, em 2002, o grupo Barahúnda apresentou o seu trabalho discográfico de estreia, intitulado Al Sol de la Hierba, que contou com a colaboração de um conjunto de instrumentistas de luxo: Rafa Martin e Javier Palancar (ambos do grupo La Bruja Gata), Jaime Muñoz e Quique Almendros (pertencentes ao grupo La Musgaña), Pedro Pascual e Pablo Pascual (ambos do grupo Laio), Javier Paxariño e Paco Benitez. 
Trata-se de um trabalho a todos os títulos referencial para a nova folk emergente pela entrega de jovens músicos a uma expressão que se reforça cada vez mais nos cruzamentos culturais e nas ousadias e confrontos entre a tradição e a modernidade. Um trabalho do qual não hesitamos em destacar duas cantigas galaico-portuguesas do século XIII (Maldito sei al maré e Ay Deus, e hu é?), três jotas das zonas zamorana, sanabresa e burgalesa (A la orilla del muelle, Jotas punteadas e El Capotiño) e duas composições tradicionais sefarditas (Yo me levantí un lunes e Yo Hanino). 
Foi muito importante o trabalho de produtor realizado por Javier Bergia, que os elementos do grupo consideram ser um verdadeiro vulcão de ideias que por vezes nos chegaram a assustar, sem todavia deixar de respeitar o grupo e de o estimular no sentido de avançarem com as suas próprias ideias e se baterem por elas. Muitas das “ousadias” instrumentais ou sonoras que aparecem ao longo de Al sol de la hierba são clara e inequivocamente entendidas como integrando os usos, funções e contextos da música tradicional: A música esteve sempre ao lado do povo e por isso se encontram na tradição toda uma infinidade de instrumentos quotidianos. Por exemplo, porque não havia meios, se uma mulher queria tocar uma jota e não tinha um tambor, apanhava uma sertã das que usava na cozinha e tocava-a com o dedal de coser, o que é absolutamente fascinante.

António Toledo guitarra
Dário Palomo clarinete
Helena de Alfonso voz e teclados
José Luís Escribano percussões
Jota Martinez sanfona
Paço Benitez baixo eléctrico


Discografia
2002 Concurso Folk “Cuartu los Valles” (Piraña Family PF-0005)
2002 Al sol de la hierba (Nufolk 50501)




LLANGRES
Resgatar a Memória da Névoa do Tempo

O grupo teve a sua apresentação oficial em 30 de Abril de 1999, no Teatro Llangreu, de Sama, tendo nesse mesmo ano passado, entre outros, pelos palcos do Intercéltico 2ª Folixa Astur e do Festival Intercéltico Diadema de Moñes. No ano seguinte destacam-se as suas actuações, cada vez mais notadas pela crítica da especialidade e aplaudidas pelo público folk, nas Noites Folk de Sama, Luarca, Granda, Cobo, Llanes e Porcía, e no prestigiado Festival Intercéltico de Lorient, na Bretanha, onde obtiveram o terceiro prémio do concurso de grupos folk intitulado “La Bolée des Korrigans”. E, em termos de concursos, destaca-se a vitória dos Llangres no I Conscurso de Música Folk “Cuartu de los Valles”, realizado em Navelgas, nas Astúrias. O ano de 2001 apresenta-se como de verdadeira consagração dos Llangres na cena folk, sucedendo-se os concertos a um ritmo verdadeiramente vertiginoso: Noites Folk de Santo Adriano, Pola de Lena, Candás, Porcia (onde se realiza a mais antiga Noite Celta que se conhece nas Astúrias) e Fabero e passagem por diversos festivais, com destaque para os quatro concertos realizados no Trigalia International Celtic Festival (partilhando o palco com The Tannahill Weavers), Alcuentros Tradicionales Trebolgu, Folk para el Sur, Festival Intercéltico de Avilés e Festival Internacional de la Sierra.
A excelência dos seus concertos, intensamente dialogantes com o público, levaram-nos em 2002 para uma intensa digressão integrada nos circuitos de música folk INJUVE 2002 (com realce para actuações em Lugo, Segóvia, Getxo e Cartagena, localidades onde se realizam alguns dos mais importantes festivais folk do país vizinho). 
Foi depois de um intenso trabalho de estrada que os Llangres decidiram avançar para as gravações do seu álbum de estreia, Stura (um hidrónimo celta que significa rio), apresentado em 20 de Setembro de 2002 no Teatro Maripeña (Felguera), que desde logo foi considerado como sendo uns dos melhores trabalhos da folk desse mesmo ano, um trabalho simultaneamente documento de estreia e prova inequívoca de invulgar maturidade, no qual David Martín, Héctor Braga, Borja Baragaño, Yago Prado e Viriu Fernández puderam contar com excelentes colaborações de músicos como Elias Garcia (bouzouki), Xosé Ambas e Marta Elola (vozes), Horácio Garcia (contrabaixo), Ferando Malva (teclados), Manolo Durán (tambor asturiano), Fernando Árias (tablas indianas, darbuka, madal e shaker) e Xel Pereda (guitarra midi).

Alberto Ablanedo bouzouki
Borja Baragaño gaita asturiana e flauta
David Martín flauta de madeira
Hector Graga violino, violoncelo e mandolina
Viriu Fernández bodhran
Yago Prado guitarra acústica, harpa e baixo de pedal

Discografia
2000 Xeración Folk (Disco colectivo: L’Aguañaz CDÑAZ 123)
2002 Concurso Fol “Cuartu los Valles” (Disco colectivo: Piraña Family PF 0005)
2002 Stura (Edição do grupo)




BERROGÜETTO
A Excelência com Horizontes de Futuro




A notícia surgiu na primavera de 1995, sugerindo-nos que algo de importante se podia legitimamente esperar da cena folk galega: músicos com créditos firmados em grupos como Armeguín, Matto Congrio, Fia na Roca, Fol de Niu, Chouteira, Xorima, Dhais…, reuniram-se para formar o grupo Berroguetto. E a primeira caracterização desta nova formação era atractiva: o som do grupo situa-se no mesmo epicentro da contemporaneidade da música popular galega, sem renunciar às composições cuidadas ou à experimentação, com um sentido de fusão equilibrado e criterioso. Ou seja, um diálogo moderno de tradição/modernidade com deliberada vocação para o contacto com o público.
Junho de 1995 começou sob o signo do VII Festival Internacional Folk Cidade Vella, em Santiago de Compostela, com os Berroguetto a repartirem, nesse dia chuvoso e frio, o palco com os Xarín (Galiza), Sharon Shannon (Irlanda), Doa (Galiza) e Vai de Roda (Portugal). Logo após os primeiros acordes, percebemos que Santiago Cribeiro (acordeão, teclados), Isaac Palacín (percussões, bateria), Paco Juncal (violino), Kiko Comesaña (bouzouki, harpa), Guillermo Fernandez (guitarra acústica, baixo) e Anxo Pintos (gaita, violino, flautas, sax) estavam ali para garantir que algo de novo estava a surgir, conscientes da necessidade de superar velhos traumas e anteriores experiências. 
Vitor Belho (timoneiro-mor de “um navio tripulado por corsários multimédia que navega pelas correntes de um arco atlântico”) tinha-nos garantido que o seu som directo era “enérxico” mas, nessa apresentação na Praça da Quintana sentiu-se a “juventude” do grupo: sentia-se que o vulcão ia explodir em torrentes de emoção e criatividade mas, por enquanto, ainda não se tinha libertado de um “simples” somatório de talentos.
E que talentos! Santiago Cribeiro estudou nos Conservatórios Superiores de Música de Santiago de Compostela e a Coruña (com Maximino Zumalave e Mercedes Goikoa) piano e acordeão, tendo já trabalhado com grupos como Devadoira e Didáctico da Universidade Popular de Vigo e sendo actualmente professor de solfejo e acordeão na escola de música Robaleira de Cedeira. 
Isaac Palacín traz consigo uma larga experiência adquirida com a sua participação em grupos como Pollito de California, Dick Zapalla, Raba Kas, Toreros Muertos e Mani Moure, entre outros, tendo participado nas gravações de discos de formações como os Matto Congrio, Tres, Ros Viola e Herdeiros da Cruz, entre outros; realizou estudos de bateria e de percussão cubana (com Ruy López-Nussa) e colaborou com Uxia.
Guillermo Fernandez é um guitarrista que teve vários e distintos mestres (Sérgio Pelágio, Alberto Conde, Tom Gullion, Fernando Varrela, Rubén Pérez e Fernando Lorca), tendo participado na gravação de dois discos dos Fol de Niu e exercendo actualmente a função de mestre-adjunto de guitarra no Laboratório de Criatividade Musical de Vigo. 
Quim Farina (que substituiu Paco Juncal) estudou violino e clarinete no Conservatório de Santiago e já integrou formações folk galegas como os grupos Xorima, Fia na Roca e Dhais, entre outros e participou em diversas gravações discográficas (Uxia, Tombstones, Emilio Cao…); de realçar o seu labor de compositor e de artesão de instrumentos medievais e de corda. 
Quico Comesaña interessa-se pelo bouzouki, pela mandola e pelo banjo tenor, tendo estudado guitarra acústica (com Soig Siberil), sanfona (com Antón Corral) e harpa céltica (com Rodrigo Romaní); participou nos grupos Armeguin e Fia na Roca, assim como na banda de Uxia, com os quais gravou três álbuns. 
Anxo Pintos tem um curriculum a todos os títulos notável: estudou sanfona com Maurizio Martinotti (da Ciapa Rusa), gaita de foles e violino (com Manel Martinez Nava, no Conservatório Superior de Música de Vigo, e com Jacky Molard); participou na gravação dos três álbuns editados com o Grupo Didáctico da Universidade Popular de Vigo,” Instrumentos Musicais Populares Galegos”, assim como no álbum de Finalistas do Troféu da Gaita “Fin de Siglo”, no álbum do Festival Internacional de Saint Chartrier e em obras dos grupos Armeguin e Chouteira. Anxo Pintos foi o compositor e intérprete das músicas de “O Moxo que Chegou de Lonxe” e já viu o seu talento e virtuosismo serem distinguidos com prestigiados prémios: 2º prémio do Festival Celta de Vigo, 1985; 1º prémio do Certame de Gaitas de Portomarín, 1986; 2º prémio do Trofeo da Gaita Fin de Siglo, 1990. 
Eis os “cavaleiros” de um grupo que Anxo Pintos definiu como uma formação “a caballo entre a música tradicional e a experimentação por novos caminhos estéticos”, na medida em que os Berroguetto surgiam um contexto muito concreto e especifico:
A Galiza é um país que tem muitos músicos de qualidade e muitos grupos já com qualidade consolidada, com propostas estéticas distintas ainda que, de algum modo, a referência seja sempre a música tradicional galega. Mas já existe uma variedade suficientemente importante para se ir pensando que estamos num país que caminha no sentido de uma normalização da sua música. A música de raíz galega nada fica a dever às músicas de qualquer outras parte da Espanha ou do resto da Europa.
Mas Anxo Pintos fez mesmo questão de insistir, nessa altura, nas “coordenadas” do grupo:
Não queremos uma música de museu numa altura em que estamos prestes a entrar no terceiro milénio e não renunciaremos à composição ou experimentação de diversas fusões, chegando sempre a soluções nas quais a estética do fim do século se alarga para se aproximar às fontes da milenária tradição galega…. 
E uma dessas fontes tem a ver com a tradição do canto na Galiza, que procuram restituir em toda a sua expressividade com a colaboração do grupo de pandeireteiras Cantigas e Agarimos: É lamentável que a nossa música folk não explore o filão da música vocal, que constitui uma autêntica riqueza. 
Acrescentando a colaboração do gaiteiro convidado Fernando Pérez (do grupo de gaitas Alfolies e ex-Xarabal), assim criam os Berroguetto um expectáculo no qual se conjugam os valores da tradição vocal galega com os arranjos instrumentais progressivos, ao som de uns quartetos de gaitas com novos jogos tímbricos, tudo num cenário natural e cheio de matizes…

Viagens de Sedução

Em finais de Março e princípios de Abril de 1996, os elementos do Berroguetto de então - Anxo Pintos, Santiago Cribeiro, Kiko Comesaña, Guillermo Fernandéz e Paco Juncal - juntamente com as convidadas pandeireteiras de Cantigas e Agarismos- Teresa Trians, Isabel Vilaseco, Maite Castro, Ana Blanco, Eva Blanco, Ana Garcia e Patricia Blanco - reuniram-se em Donosti, no Euskadi, nos estúdios da Elkar, sob a direcção do técnico Jean Phocas (o técnico habitual dos Gwendal e dos Oskorri), tendo então sido gravado o álbum de estreia do grupo, com o título Navicularia, um trabalho tão surpreendente como intrigante, pela força expressiva e pela abertura de novos horizontes de enraizamento: uma viagem entre o tradicional e o contemporâneo, com a bússola constantemente orientada para a identidade musical galega. Foi, sem dúvida, um dos mais poderosos “sons da surpresa” na última década do século em vias de terminar.
Em termos de novas composições, Anxo Pintos surge como o mais profícuo compositor de Berroguetto (Navicularia, Valseiro, Cancro Crú e Jota da Gheada), senco Quico Comesaña o autor da restante peça que integra o lote das modernas criações (O Mandil, baseada numa melodia vocal instrumental recolhida por Monserrat Rivera e Felisa Segade - uma das Leilia - um dia de festa em Rubilloú. Trata-se de composições inspiradas e enraizadas numa tradição que é “saudade de futuro”, submetidas a arranjos colectivos do grupo.
No que diz respeito às composições tradicionais a escolha foi assaz criteriosa: Rosendo en Sabaxans contou com uma melodia instrumental recolhida por Paco Juncal (do reportório do gaiteiro Rosendo, de Samertolameu, Moaña) e uma melodia vocal recolhida por Monserrat Rivera, Felisa Segade e Carlos Vidal na aldeia de Sabaxáns, Mondariz; Vilalbalcán I é uma marcha processional de Vilalba, sendo Vilalbancán II uma muiñeira que fazia parte do reportório do gaiteiro Choqueiro, de Cangas de Morrazo, Ambia inspirou-se numa melodia recolhida em Cerdeira pela dupla Rivera/Segade, que com Carlos Vidal, recolheram também as melodias da Jota do Mórdomo e da Danza de Gargamala (de salientar que a jota e a danza foram ritmos serodiamente importados para a Galiza que a transmissão oral foi moldando ao estilo/sentir galego); e Mornoambarina, uma marcha processional de Pontevedra que se “funde” com uma muiñeira da autoria de Anxo Pintos.
Navicularia foi galardoado com o Prémio da Crítica da Alemanha em 1997 e amplamente aclamado pelo público folk europeu que foi progressivamente descobrindo o grupo graças aos seus concertos nos mais importantes festivais do continente.
Apostámos por caminhos de inovação e de fusão, que por vezes partiam de aspectos muito tradicionais (como era o caso das pandeireteiras), para os misturar com elementos mais inovadores e com recurso a diversos instrumentos e não de todo tradicionais. A nossa experiência foi muito positiva e o nosso aparecimento coincidiu com um facto insólito: o público galego começou a sentir um grande apreço pelos grupos de casa, que até então e de um modo geral tinham sido menosprezados em detrimento dos estrangeiros. Nós fomos notando a presença de um público jovem muito interessado e entusiasta com aquilo que a música galega e os músicos folk lhes estava a oferecer, criando-se um ambiente estupendo.
Guillermo Fernández reflecte deste modo assaz esclarecedora sobre a conjuntura, em crescendo favorável, que rodeou o aparecimento do grupo e que, importa reconhecê-lo, foi determinante para a actual dinâmica da folk galega. O segundo disco do grupo, Viaxe por Utricaria, publicado em 1999, constitui o natural e desejado prolongamento da postura antes projectada, tendo contribuído de forma decisiva para a consagração de um som próprio que, inevitavelmente, começava a suscitar o chamado “efeito de escola” (como, aliás, sucede sempre que surgem formações cuja excelência gera tal mais valia colateral). 
Com colaborações de Javier Paxariño (flautas, bansuri e sax sopranino), Paco Dicenta (baixo eléctrico), Ruben Isasi e Iñaki Plaza (txalaparta) e Ruy López-Nussa (pailas), Viaxe por Utricaria constrói-se tendo por base essencialmente as novas composições, assinadas por Anxo Pintos (Aqui Canto, partindo de tema tradicional, Indosesta, “K”, Alalá das Humidades e Neocórtex), Quim Farinha (Tránsito), Quico Comesaña (Lusco, Fusco e A Forza das Mareas, esta com letra de Gaudi Galego) e Guillermo Fernández (Ausência). De registar a inclusão de Bailador, tema tradicional, cantado por Gaudi Galego (assim como Aqui Canto, Fusco e A Forza das Mareas), que passou a integrar os Berrogüetto.

O Gosto pela Interdisciplinaridade

Nós gostamos de oferecer algo mais do que um trabalho exclusivamente musical, gostamos de dotar a música de um conteúdo extra-musical e é por isso que procuramos montar este disco em torno de um eixo central e misturar a música com outras disciplinas artísticas. Tal foi o caso de George Rousse, um artista francês em cuja técnica se conjugam a arquitectura, a pintura e a fotografia, cuja intervenção, para a definição da imagem do álbum Hepta, contou com a colaboração do Centro Galego de Arte Contemporânea.
O espaço escolhido foram as centenárias fábricas de cerâmica de Sargadelos, no Lugo, criadas em 1791 por António Raimundo Ibáñez, Marquês de Sargadelos, que constituem preciosos exemplares da revolução industrial em terras de Espanha. Durante cerca de uma semana, George Rousse interveio num dos históricos edifícios da fábrica e o grupo viveu, dia a dia, o sortilégio da experiência criadora da qual resultou toda a imagem do disco: a capa, o conceito gráfico geral e as obras de arte fotográfica que o ilustram. Trta-se, portanto, de uma proposta ideográfica: arranca do número mágico (em grego, hepta) porque os músicos do grupo são sete, as notas musicais são sete, as cores são sete, as belas artes são sete e ao sétimo dia revelou-se uma xeometria heptacéfala, completa metamorfose dos agoiros oraculares nos pétalos encarnados da flor da realidade.
Trata-se uma vez mais de um trabalho essencial de composição: Anxo Pintos (Nanatsu, Hebdomadária e Azul Grasso), ´Santiago Cribeiro (Vinte Anos), Quim Farinha (Heptacordo), Guadi Galego (Baixando de Ti, Setestrelo e Alquimista de Soños, estas duas em parceria com Guillermo Fernández), Quico Comesaña (Galimatias.Tacom), Isaac Palacín/Quico Comesaña/Guillermo Fernández (Albores) e Guillermo Fernández(Quim Farinha (Armenia, sobre uma improvisação de Jivan Gasparyan). Apenas um tema de origem tradicional foi incluído: Cantos de Monzo.
Em Hepta, álbum editado em 2001, registam-se as seguintes colaborações: Jivan Gasparian (músico arménio, tocador de duduk, um instrumento de sopro), Markus Svenson (músico sueco, tocador da nickelharpa, um antigo instrumento tradicional sueco de teclas e cordas, parecido com o violino), Kalman Balogh (músico húngaro, um virtuoso do cimbalom, instrumento tradicional muito popular na área balcânica), Kin Garcia (contrabaixo e baixo eléctrico), Xavier Díaz (voz) e Luís Palacin (harmónica)
Berrogüetto… a excelência da folk galega com explosões de criatividade que são garantia fundamental para um processo de renovação com horizontes de futuro.

Anxo Pintos sanfona, saxofone, piano e gaitas
Guadi Galego voz e gaitas
Guillermo Fernández guitarra e baixo
Isaaac Palacín percussões
Quico Comesaña bouzouki e harpa
Quim Farinha violino
Santiago Cribeiro acordeão e piano

Discografia
1996 Navicularia (Do Fol/Boa)
1999 Viaxe por Utricaria (Do Fol/Boa)
2001 Hepta (Do Fol/Boa)


Uma iniciativa da Sons da Terra e Câmara Municipal de Vizela.

 


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