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Panorama da música tradicional de Zamora nos grupos “Folk”
Por Alberto Jambrina Leal
(Tradução: Associação Gaita de Foles)


Alberto Jambrina Leal

A província de Zamora, pela sua localização geográfica, possui um rico acervo cultural que na música se manifesta como um cruzamento de influências de todo o tipo.
Musicalmente, encontramos pelo menos três culturas bem diferenciadas, no sul da província (Sayago e Tierra del Vino) e que se manifesta através de instrumentos como a flauta e o tamboril, próximos das terras vizinhas de Salamanca, com ritmos muito peculiares como o “charro”, “la charrada” e os toques rituais litúrgicos onde o tamborileiro solenizava os dias de festa.
Em terras de Aliste, Alba e Tábara, em simultâneo com a flauta e o tamboril, em várias ocasiões o mesmo tamborileiro era também gaiteiro e inclusivamente dulçaineiro (tocador de Dulçaina) e tocava um ou outro instrumento, dependendo das circunstâncias. Em Aliste o ritmo mais popular é o "brincao", o baile de “las culadas", e também “charro”, ainda que exiba algumas diferenças em relação ao de Sayago, e também aqui se podem encontrar os magníficos toques rituais festivos, nessa ocasião, a cargo da gaita de fole. Nestas comarcas encontram-se afinidades com as terras portuguesas de Trás-os-Montes.

Carballeda e Sanabria expressam-se sobretudo através da gaita de fole que nas diferentes comarcas de Zamora se pode encontrar com diferentes tipos de afinação e de timbre; estas comarcas merecem uma menção especial pela rapidez dos seus ritmos de “habas”, “corridos” e “jotas”; estas podem ser encontradas por toda a província com variantes de tempo, de ritmo e de gamas ou escalas musicais.
Por outro lado, temos em Zamora e todas as zonas da meseta castelhana (Toro, Villalpando) e os vales de Benavente, que se manifestam através do som da Dulçaina e da caixa, em algumas ocasiões com ritmos muito característicos, como os “pasacalles” com agrupações rítmicas em 7/8 muito características.

Assistimos nos últimos anos a uma moda na música Folk de tendência “celta” com grupos de reconhecido prestígio como Milladoiro, Luar Na Lubre, e artistas a solo como Carlos Núñez, Jose Ángel Hevia, etc.
Frente a esta moda “celta” que fixa a sua atenção nas melodias e ritmos de comunidades espanholas como a Galiza, Astúrias, Cantabria e País Basco, a música de determinadas províncias de Castela e Leão como Burgos, Segóvia, Palencia, Salamanca, León e Zamora exibem uns arquétipos característicos que distinguem os grupos de música “Folk” que fixam a sua atenção nestas terras.

Desde os anos 90 do século passado grupos como La Musgaña, La Bazanca, Radio Tarifa, Habas Verdes, Tradinova, Don Sancho, vão fazendo uma série de arranjos musicais de determinadas melodias tradicionais, com a finalidade de atrair um público jovem, com a incorporação de elementos musicais procedentes da Pop, Rock e Jazz, para além da “música étnica”.

Um caso concreto é o de uma melodia de uma “jota chaconeada” interpretada pelo gaiteiro de Ungilde (Sanabria), Julio Prada, que passou para o repertório do grupo La Musgaña, no seu disco "La Musgaña en directo" no qual se se fazem acompanhar pela percussão dos Radio Tarifa e que daí passou para o grupo bretão "Bagad Kemper", no seu disco "Sud-Ar-Su", noutra versão.

São três versões de uma melodia e um ritmo, que na sua origem eram um baile tradicional. 

Pela casa de Julio Prada passaram muitas pessoas para aprender melodias, romances, etc. Entre as primeiras pessoas que passaram estava Joaquim Dias, o ilustre folclorista zamorano estabelecido em Valladolid. Numa determinada ocasião, passou por lá com una doutora de uma universidade americana, que disse a Julio Prada: "Senhor Julio, continue a fazer aquilo que tão bem tem feito ao longo da sua vida”.

Julio Prada, gaiteiro de Ungilde, desde o seu nascimento numa pequena aldeia sanabresa, expandiu a sua maneira de tocar até limites insuspeitados. 
A sua maneira de tocar influenciou-me como influenciou outros gaiteiros de Aliste como a família Guillermo (Florencio, Serafín e Francisco) de Palazuelo de las Cuevas, ou o "Ti Francisco", de Villanueva de Valrojo (Carballeda).
Uma reflexão final; sem Julio Prada, não teriam sido possíveis as outras versões da Jota Chaconeada, as dos La Musgaña (com discos vendidos por todo o mundo) e a da Bagad Kemper, da Bretanha.

Comprova-se, uma vez mais, que partir da humildade e simplicidade bem feita, se podem transcender fronteiras geográficas e artísticas.

O mais importante é o legado que nos deixa: 17 temas no disco “Julio Prada - Gaitero de Sanabria" (SAGA), outros quantos toques na antologia de Música Tradicional "Sanabria Vols. 2,3,4,5" (Reeditados recentemente em CD) ”La Tradición Musical en España” Vols 28 e 29 (SAGA) Melodías do seu repertório na Escola de Folclore de Zamora, um padrão de instrumento para gaita sanabresa. 
E o facto de que transcendeu fronteiras desde a sua humilde aldeia sanabresa.

Alberto Jambrina Leal
Profesor de Música do I.E.S. "Río Duero", Zamora.
Coordenador da Escola de Folclore do Consórcio de Fomento Musical

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