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Pedro Caldeira Cabral, em conjunto com outros músicos, apresentou um concerto no auditório da Biblioteca-Museu República e Resistência, em Lisboa, nos dias 7 e 14 de Março. Este concerto é uma oportunidade única para conhecer o trabalho de Pedro Caldeira Cabral à volta de instrumentos e músicas medievais, que incluem reconstituições de gaita-de-fole baseadas em iconografias galaico-portuguesas desse período.

Alguns instrumentos em
exposição: Alboca, Gaitas (reconstituições a partir de iconografias
das
Cantigas de Santa Maria), Charamela e Tamboril.
Os instrumentos musicais ocupam um lugar importante na redescoberta e reconstituição actual da Música da Idade Média (Séculos XII a XV).
Até um período recente, os musicólogos dispunham apenas de informação escassa sobre os instrumentos, o seu repertório e a função da música secular. Actualmente, podemos formar uma imagem muito mais nítida da realidade histórica, sobretudo no que diz respeito aos instrumentos musicais utilizados no espaço cultural galaico-português no período trovadoresco.
Os instrumentos musicais são hoje considerados e estudados como objectos de Arte em si mesmos, e não apenas como veículos de outra arte: a Música. Assim, podemos hoje reflectir sobre as relações entre as Artes Liberais e os instrumentos, bem como a sua simbólica ou o reflexo das mentalidades em certas técnicas com implicações musicais.
A importância dos instrumentos musicais neste período é-nos transmitida por numerosos testemunhos literários e iconográficos. Começando pelo Codice Calixtino (Séc. XII), que nos descreve numerosos instrumentos musicais usados pelos peregrinos que se dirigiam a Santiago de Compostela e nos fornece também textos musicais, e terminando com o extenso poema do Arcipreste de Hita no Livro de Buen Amor (Séc. XIV), encontramos uma completíssima nomeclatura organológica do período medieval.
O complemento iconográfico é essencial para a reconstituição moderna, sendo este fornecido pelas esculturas dos pórticos das catedrais de Santiago e
Ourense (séculos XI e XII) ou o menos conhecido portal da igreja de San Martin de
Noia, Galiza (séc. XV), ou em Portugal, os casos do pórtico do Mosteiro de Santa Maria da Vitória, Batalha, ou da igreja de Nossa Senhora da
Oliveira, em Guimarães, ambos do Séc. XV. Temos também as iluminuras do Códice do Escorial das Cantigas de Santa Maria ou as do nosso Cancioneiro da Ajuda (séculos XIII e XIV).
Com este espectáculo pretende-se dar a conhecer a riqueza instrumental dum período que geralmente associa as formas mais estáticas da música religiosa que excluíam o uso de instrumentos musicais, ilustrando de forma viva o uso dos mesmos nas práticas musicais seculares.
Programa:
1. Anónimo (séc. XIV)
Lamento di Tristano/La Rotta
Alaúde, Fídula, Pandeireta
2. Afonso X, o Sábio (séc. XIII)
Cantiga de Santa Maria n.O 166
Baldosa, Fídula, Darabuka
3. Anónimo (séc. XIV)
La Manfredina / La Rotta
Cítola, Fídula, Darabuka
4. Anónimo (séc. XIV)
Saltarello
Guitarra Latina, Alaúde, Pandeireta
5. Afonso X, o Sábio
Cantiga de Santa Maria n.o 100
Saltério, Fídula, Crótalos
6. Anónimo (séc. XIII)
Ductia
Fídulas, Crótalos
7. Martim Codax (séc. XIII)
Mandad'eí comigo
Arrabil, Alaúde, Adufe
8. Anónimo (séc. XIV)
Saltarello
Lira, Alaúde, Pandeireta
9. Afonso X, o Sábio
Cantiga de Santa Maria n.O 338
Tintinnabula, Fídula, Darabuka
10. Anónimo (séc. XII)
Cantiga de Trovador
Siringe, Alaúde, Baldosa
11. Afonso X, o Sábio
Cantiga de Santa Maria n.o 7
Exabebas, Alaúde
12. Anónimo (séc. XIII)
Ductia
Flautas doces, Pandeireta
13. Afonso X, o Sábio
Cantiga de Santa Maria n.O 159
Flauta e Tamboril, Alaúde, Pandeireta
14. Anónimo (séc. XIII)
Vayamos irmana
Pífaro de Osso, Trancanholas, Fídula
15. Afonso X, o Sábio
Cantiga de Santa Maria n.O 260
Alboca, Alaúde, Atabaque
16. Afonso X, o Sábio
Cantiga de Santa Maria n.O 116
Dulzaina, Gaita de Fole, Darabuka
17. Anónimo (séc. XIII)
La Quinte Estampie Real
Gaitas de Fole, Pandeireta
18. Anónimo (séc. XIII)
Danse Real
Charamela, Gaita de Fole, Atabales
Músicos e
Instrumentos:
Pedro Caldeira Cabral - Viola e Lira de Arco, Baldosa, Cítola, Guitarra Latina,
Saltério, Arrabil, Tintinnabula, Flauta de Pan, Exabeba, Flauta Doce, Flauta de
Tamborileiro, Alboca, Dulzaina, Charamela, Gaita de Fole.
Joaquim António Silva - Alaúde, Viola de Arco, Flauta Doce, Gaita de Fole.
Fernando Marques Gomes - Baldosa, Exabeba, Atabaque, Atabales, Adufe, Pandeireta,
Darabuka, Címbalos, Crótalos.

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