Associação Gaita-de-Foles A.P.E.D.G.F. APEDGF
Associação Portuguesa para o Estudo e Divulgação da Gaita-de-foles - Portuguese Bagpipe Society .'.
gaita - bagpipe - cornemuse - zampogna - dudelsack - bock - gaida - phìob - biniou - mezoued -zucra - duda - pipe - sackpipa
  Gaita-de-fole | Sócios | Actividades | Notícias | Escola | Comprar | Orquestra de Foles Documentos  | Contactos

« Principal « Notícias « II Encontro de Tocadores
.
 

1º Encontro: Crónica

Breve Crónica do I Encontro de Tocadores, por José Miguel Barros, no site At-tambur.com
  Dúvidas?

Para quaisquer dúvidas e esclarecimentos adicionais, contactos:

E-mail:
[email protected]

Telefone:
91 763 8023

 

Para Ouvir

Registos sonoros recolhidos no estúdio de gravação da edição de 2002, disponíveis para download, em mp3
  Fotografias  
Imagens das várias oficinas do primeiro Encontro...

II Encontro de Tocadores
Ao encontro da música tradicional e dos seus instrumentos

Nisa, dias 9, 10 e 11 de Maio de 2003
 
Encontro Actividades Instrumentos Programa Inscrições

Instrumentos - Concertina
Origem histórica
Contexto social e musical
Especificidades técnicas do instrumento
Afinação
Técnica do tocador




Origem histórica

O instrumento chinês Cheng, que foi introduzido na Europa em 1777, parece ter estado na origem das ideias utilizadas para o desenvolvimento da concertina. 
Em 1921, Haeckel em Viena e depois Buschmann na Alemanha inventaram instrumentos para soprar com a boca com palhetas livres. Buschmann adicionou foles um teclado de botões no ano seguinte, para poder ser tocado com as mãos, tornando esse instrumento como o primeiro antepassado reconhecível da concertina. Finalmente, em 1929, Cyrillus Damian, um construtor de instrumentos radicado em Viena, adicionou acordes no baixo, e patenteou este instrumento como acordeão (Paralelamente, Sir Charles Wheatstone patenteou a concertina 
em 1829 e Heinrich Band em 1940 inventou o Bandonioni).
O Acordião de Demian chega um ano depois a Paris, onde numerosos construtores o vão melhorando durante o Séc.XIX, salientando-se várias fases: a substituição de acordes por sons simples em cada botão; o aparecimento do acordeão misto, em que alguns botões dispunham de um som a fechar e outro a brir, enquanto que outros botões produziam um som único; e, o aparecimento do Acordeão de teclado (cópia do teclado de piano).

A partir do Acordeão misto derivam duas vertentes: uma que vai dar o Acordeão de botões com um som por cada botão, e outra, que vai dar origem ao Acordeão Diatónico composto por uma, duas, ou três carreiras de botões com a emissão de dois sons por botão, conforme o movimento do fole.
Enquanto que os Acordeões de teclado e de botões dispõem usualmente, na mão esquerda, de sessenta, noventa, ou cento e vinte botões de baixos, o Acordeão diatónico dispõe somente de quatro, oito, ou doze, conforme tem na mão direita uma, duas, ou três carreiras, respectivamente.
Pensa-se que a Acordeão diatónico chegou a Portugal na mesma altura a que chegou a Espanha (1873) adoptando o nome de “Concertina”. Em Portugal designa-se por concertina o que algumas pessoas no nordeste brasileiro chamam "sanfona" (sem distinguir por vezes a concertina e o acordeão) e que na Irlanda corresponde a um pequeno instrumento hexagonal, também de palhetas livres.
No sec XIX, a concertina tomou o lugar da harmónica como instrumento favorito. Era muito popular na Estremadura, onde rivalizava com as Gaitas de foles. Nos dias de hoje tem especial vitalidade no Minho, onde são tocadas por ocasião dos bailes e nos cantares ao desafio.


Contexto social e musical

Hoje em dia, a concertina substituiu em toda a faixa litoral os cordofones que antes dominava a música festiva e lírica de tipo recente: cantares de festa e coreográficos alegres e vivos, “chulas”, rusgas, cantigas românticas e satíricas, cantares de desgarrada, fados, serenatas e tunas; na região raiana Beiroa assim como no Campo Alentejano, a concertina é usada, tal como no Ocidente, para música lúdica e festiva: “saias”, “despiques”, “modas” mais alegres e vivas. No entanto, hoje em dia a concertina sai da esfera estritamente lúdica e aventura-se em ocasiões sagradas. De resto, com a carência da obrigatoriedade estrita e a progressiva quebra de força da velha tradição, podemos hoje ver a concertina (que conhece maior difusão que a viola) em ocasiões cerimoniais onde há pouco não figurava. Por exemplo, em Creixomil, na região de Barcelos, ouvimos uma primeira parte de uns cantares de reis onde as vozes cantam a pedir o donativo, de uma forma grave e austera, com a concertina a sublinhar a linha melódica.
Actualmente, por toda a parte, os cordofones tradicionais vão sendo postos de parte, aparecendo a par deles, ou em sua substituição, a concertina e o acordeão. Na faixa litoral do alto Minho, por exemplo, pode-se mesmo dizer que o único instrumento que hoje se ouve nas rusgas, bailes de terreiro, romarias e outras festas, é a concertina.
Na Serra duriense, nas tocatas que acompanham a dura faina da vindima, está presente a concertina. Mais tarde, durante o bailarico e festa final da “entrega do ramo” aos patrões (fig. 1), esta tocata consegue suscitar a atmosfera lúdica dessa duríssima quadra.


Fig. 1 – Pinhão, Alijó. Final da vindima, com uma tocata constituída por concertina, bombo e guitarra.

Especificidades técnicas do instrumento

É um aerofone de palhetas livres que são accionadas por meio de um fole que une os dois teclados. Trata-se de um aerofone de palhetas livres que são accionadas por meio de um fole que une os dois teclados. O teclado da mão direita produz as notas, enquanto o teclado da mão esquerda produz os acordes e baixos de acompanhamento.
É um instrumento largamente difundido na música de raiz tradicional e Popular Europeia, embora tenha surgido apenas no princípio deste século, depois de construtores alemães terem transformado os seus primórdios chineses, nomeadamente na utilização de palhetas metálicas.
Este instrumento tem a particularidade de emitir notas distintas quando se prime uma tecla e se acciona o fole em cada sentido, o que o distingue do acordeão (que emite sempre o mesmo som, independentemente do sentido com que se acciona o fole).

São muitos os instrumentos que funcionam a partir de palhetas simples, duplas ou batentes (saxofone, clarinete, oboé, fagote, órgão, palheta). Ao contrário dos outros tipos de lamelas vibrantes, a palheta livre move-se livremente no ar graças à sua elasticidade: ela não vibra contra nenhum suporte.

A palheta livre metálica é o princípio sonoro da concertina (fig. 2). Esta palheta é uma lamela de cana ou metal, onde uma extremidade está fica e a outra vibra sob a pressão do ar que circula pela acção do fole. Ela está fixada por uma das suas extremidades num suporte de madeira (chassis) onde foi perfurada uma abertura: a janela. No interior desta, sob a pressão do ar que vem do fole, a palheta desloca-se para um e outro lado do seu eixo, provocando uma vibração que está na origem do som da concertina. A alimentação do ar é feita alternadamente, de acordo com o movimento de abertura ou de fecho do fole, que faz com que o ar de um lado ou do outro do suporte de madeira; como a palheta apenas vibra do lado onde ela está fixa: é por isso que na concertina sendo estas duas palhetas diferentes, o som emitido a fechar ou abrir o fole é também ele diferente. A pele de couro evita eventuais vibrações parasitas da lamela que não está a vibrar. A palheta é afinada com a ajuda duma lima (quando se lima a base, o som fica mais grabe; quando se lima a extremidade o som fica mais agudo).

Afinação

Fig. 3 - Concertina de duas carreiras

As primeiras concertinas tinham apenas dez botões do lado direito. A cada botão correspondem pelo menos duas palhetas (e podem chegar a ser dez) com notas diferentes no abrir e no fechar do fole. Os baixos e os acordes relevantes são a raiz da escala no fechar do fole e a quinta do acorde no abrir do fole.
As concertinas podem ter uma fileira de botões, com dez botões. Dada a característica da concertina, a estes dez botões correspondem 20 notas diferentes, dez no abrir do fole e dez no fechar do fole. A uma fileira correspondem apenas dois botões de baixo (lado esquerdo), com dois acordes e dois baixos. Da necessidade de tocar em diferentes tonalidades (de forma a se poder tocar com outros instrumentos), surge a concertina com duas fileiras (fig. 3) de botões do lado direito e oito baixos do lado esquerdo. A cada fileira corresponde uma tonalidade, podendo a concertina estar em Sol–Dó, Dó– Fá, ou qualquer combinação que o construtor ou o tocador tenham ensejo de tocar. Com três fileiras o esquema repete-se, podendo a ter concertinas em Sol – Dó – Fá, Ré – Sol –Dó ou qualquer outra afinação. Neste caso, esta concertina tem normalmente doze baixos. Outras concertinas, como por exemplo a concertina italiana, tendo por base duas fileiras, têm algumas notas suplementares numa terceira fileira (cinco ou seis botões) que são as alterações cromáticas, permitindo ao tocador uma vasta gama de tonalidades e opções interpretativas. Hoje em dia muitos tocadores pedem afinações muito específicas ao construtor, de forma a que o instrumento se adapte às suas necessidades e criatividade.
 
As concertinas mais comuns na música popular portuguesa são normalmente afinadas em Sól-Dó. Por exemplo, no caso da música cabo-verdiana é mais comum encontrar concertinas com afinação em Fá-Dó.

Técnica do tocador

O teclado principal, tocado com a mão direita, produz as várias notas (numa escala diatónica, ou seja, só com os tons principais) enquanto o teclado da mão esquerda produz os acordes de acompanhamento.
A mão direita: a mão direita toca num teclado de botões, que fazem a melodia.
A mão esquerda toca os baixos e os acordes, podendo também operar o botão do ar. O pulso esquerdo passa pela correia dos baixos permintindo ao braço esquerdo movimentar os foles. A concertina é sustentado pelo tocador através de tiras de cabedal, que facilitam o suporte do instrumento. Na maior parte das vezes o instrumento é tocado sentado.
(Extraído e adaptado do Livro “Instrumentos Musicais Populares Portugueses” de Ernesto Veiga de Oliveira e Benjamim Pereira - Gulbenkian 2000).

 


Início | Gaita-de-fole | Sócios | Actividades | Notícias | Escola de Gaitas |
Comprar | Orquestra de Foles | Documentos | Equipa | English  | Links | Contactos
Powered by RRMerlin

Associação Gaita de Foles - direitos reservados