Associação Gaita-de-Foles A.P.E.D.G.F. APEDGF
Associação Portuguesa para o Estudo e Divulgação da Gaita-de-foles - Portuguese Bagpipe Society .'.
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1º Encontro: Crónica

Breve Crónica do I Encontro de Tocadores, por José Miguel Barros, no site At-tambur.com
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Para quaisquer dúvidas e esclarecimentos adicionais, contactos:

E-mail:
[email protected]

Telefone:
91 763 8023

 

Para Ouvir

Registos sonoros recolhidos no estúdio de gravação da edição de 2002, disponíveis para download, em mp3
  Fotografias  
Imagens das várias oficinas do primeiro Encontro...

II Encontro de Tocadores
Ao encontro da música tradicional e dos seus instrumentos

Nisa, dias 9, 10 e 11 de Maio de 2003
 
Encontro Actividades Instrumentos Programa Inscrições

Instrumentos - Gaita de Foles
Introdução.
Oficina de Gaita de foles: música.
Oficina de Gaita de foles: construção.
Tocador: António Ribeiro, “Toni das Gaitas”.
Pivots: Paulo Marinho e André Ventura
Construtores: Victor Félix e Mário Estanislau.



Foto: em primeiro plano, o gaiteiro José Maria Fernandes (Urrós, Mogadouro).

Introdução
A tradição de gaita-de-foles em Portugal é ainda mal conhecida de algum público urbano, que associa o nome do instrumento à Escócia e inevitavelmente, como sendo não-português.
E no entanto, Portugal, à semelhança de muitos outros países europeus, possui uma tradição riquíssima deste instrumento, praticamente desde a fundação da nacionalidade, em pleno período medieval, com uma forte implantação, pelo menos até ao século XVIII.
Obviamente, quando se fala do instrumento gaita-de-foles, referimo-nos a instrumentos com principios de funcionamento e um formato geral comum, mas com características bem distintas entre si: uma gaita transmontana é diferente de uma gaita galega que por sua vez é diferente de uma gaita escocesa, na afinação, na morfologia, no timbre, etc.
Em Portugal, existem pelo menos três tipos de gaitas mais comuns; na faixa atlântica ocidental, (do Minho até à Estremadura, Zona de Torres Vedras e Península de Setúbal) existem ainda muitos gaiteiros tradicionais que tocam um tipo de instrumento em tudo semelhante ao que se convencionou chamar de “gaita galega”. Na zona de Coimbra, nas aldeias em redor, perdura ainda um tipo de instrumento semelhante a este, mas que exibe algumas características diferentes, porventura mais arcaicas.
Na zona de Trás-os-Montes e Miranda do Douro, ainda existem, com alguma vitalidade, um certo número de tocadores tradicionais de outro tipo de instrumento, a “gaita-de-fole”, ou “gaita transmontana” ou “gaita mirandesa” (as designações variam) com um repertório  e características sonoras muito próprias, que partilham algumas semelhanças com os intrumentos encontrados na região fronteiriça de Zamora e Castela-Leão (Espanha).

Recentemente (sobretudo a a partir do século XIX), o instrumento gaita-de-foles encontrou-se em franca regressão, devido à implantação de outros instrumentos e práticas musicais, que levaram ao seu abandono e a algum esquecimento. No entanto, permanece ainda em algumas zonas rurais como um instrumento muito popular e quase obrigatório para a celebração das festas e das práticas musicais próprias dessas regiões (como é o caso das regiões apontadas anteriormente).
Essas práticas musicais subsistem, à semelhança de muitos outros instrumentos na mesma situação, graças aos poucos tocadores tradicionais (ou que se convencionou chamar de “tradicionais”, precisamente por serem os representantes de práticas musicais mais esquecidas) que o tocam, ensinam e transmitem às novas gerações:

A presença da Gaita-de-foles no Encontro de Tocadores é precisamente uma ocasião para que esse espaço de transmissão de vivências e conhecimentos aconteça, alargado porventura a um público urbano, que tem poucas possibilidades de travar contacto directo com os tocadores. Um processo de  descoberta de um instrumento que faz parte, inegavelmente, da nossa cultura musical.

Oficina de Gaita de foles: música, técnicas e tradições.

As oficinas de gaita deste ano vão contemplar duas vertentes distintas: uma mais ligada à vivência e experiência de um um dado tocador (nesta edição, António Ribeiro; “Toni das Gaitas”, do Porto, já presente na primeira edição destes Encontros) onde vai ser possível ter um contacto íntimo com a técnica desse tocador, as suas vivências, os contextos musicais, repertório e biografia e uma oficina de construção e manutenção.
Este módulo estará a cargo do pivot Paulo Marinho, da associação Gaita de Foles, que de certo modo, fará a ponte entre os participantes e o tocador. Para além da oportunidade única que constitui este encontro para fazer a ponte e a transmissão de técnicas e características muito próprias da tradição gaita-de-foles em Portugal, também se transmitem vivências e memórias dos contextos em que se cria e vive a música deste instrumento, hoje em rápida transformação, cujo conhecimento é tão importante como o simples conhecimento das técnicas de execução e afinação.

Horário de funcionamento:

Sexta-feira: 10h30 - 13h e 16-19h 
Sábado: 10h30 -13h e 16-19h
Domingo: 10h30 - 13h e 16-19h


Oficina de Gaita de foles: construção.

A outra vertente, impulsionada pela tomada de consciência de algumas
das necessidades dos vários tocadores, vai ser a oficina de
manutenção e reparação, onde os participantes vão ter a
oportunidade de conhecer ou reforçar alguns conhecimentos técnicos associados a técnicas de construção,afinação e manutenção.

Hoje em dia verifica-se a existência de muitas gaitas-de-foles, um pouco por todo o país. No entanto, algumas são de construção duvidosa e outras estão num mau estado de manutenção. Verifica-se também que por vezes os seus proprietários não sabem fazer a sua manutenção da forma mais correcta. Tendo em conta estes factores, a presença da oficina da Associação Gaita de Foles destina-se a suprir a necessidade prática e muitas vezes urgente, de alguns dos participantes em terem uma gaita de foles em boas condições.

Deste modo o trabalho será encaminhado principalmente para necessidades práticas: afinar, empalhetar, tapar poros, mudar foles, pequenas reparações no torno, etc. Simultaneamente, os participantes estarão, deste modo, a aprender e a aprofundar os seus conhecimentos nesta área, indispensáveis para um correcto domínio do instrumento.
Este módulo é da responsibilidade de Victor Félix e Mário Estanislau,
responsáveis pela oficina de construção da Associação Gaita de Foles.
Neste espaço será também possível efectuar algumas pequenas reparações dos instrumentos, caso seja necessário.
Para tal, em anexo, os participantes interessados têm que preencher um inquérito, de modo a que a resposta por parte dos responsáveis da oficina de construção seja a mais adequada.

Na práctica, a oficina da APEDGF, oferece os seus serviços durante os dias do Encontro, e os participantes apenas terão que pagar o material que tiver de ser utilizado. No entanto, ressalvam-se as situações em que as reparações mais específicas sejam orçamentadas, caso a caso.
A inscrição será acompanhada por um “inquérito informativo” de forma a responder da melhor maneira, às necessidades dos participantes interessados.


Horário de funcionamento da oficina:

Sexta-feira: 16-19h
Sábado: 16-19h
Domingo: 11-13h

Como tal, e para melhorar a distribuição e organização dos participantes, será necessário e conveniente indicar nas inscrições:

- Interesse exclusivo para o módulo da parte técnica (Oficinas com o Tocador).

- Interesse exclusivo apenas na parte da construção, manutenção e reparação (Oficinas com os Construtores).


-
Interesse na inscrição em ambas as modalidades.


O Tocador: António Ribeiro, “Toni das Gaitas”.

António Ribeiro é o arquétipo do gaiteiro popular, do tocador de gaita-de-foles por excelência; homem de muitas profissões (gaiteiro, palhaço, clarinetista, flautista, fabricante artesanal de gaitas de foles, bombos, caixas, gigantones e cabeçudos), esteve ligado durante toda a vida à música e ao espectáculo; Aos seis anos já acompanhava o seu pai, tocando caixa e bombo, aos 12 tocava gaita em teatros e mesmo quando cumpriu o serviço militar em Braga, acabou, inevitavelmente, por integrar a fanfarra, com a gaita de foles; a gaita acompanhou também todo o seu percurso circense, quando actuou como palhaço, durante muitos anos.
António Ribeiro domina várias técnicas e vários instrumentos; além da gaita galega, também toca gaita escocesa e clarinete e teve contacto desde cedo com a gaita transmontana e as suas técnicas e repertório. António Ribeiro é natural de Valpaços (Trás-os-Montes) e o seu pai (com quem aprendeu muito sobre a gaita e construção de palhetas) era o célebre gaiteiro José Benedito,  recordado ainda hoje por muitos gaiteiros.

A personalidade de António Ribeiro é carismática, com um domínio muito hábil da comunicação com o público e um sentido de espectáculo muito apurado; um gaiteiro, que cumpre a função social de animador e músico, tal como muitos outros gaiteiros tradicionais.
Para além de uma técnica muito própria que António Ribeiro confere às suas interpretações, com adornos atípicos, domina também as técnicas mais tradicionais de digitação e fabrica os seus próprios instrumentos, à semelhança de muitos gaiteiros tradicionais, (algo raro hoje em dia, com cada vez mais gaiteiros músicos, mas não constructores).


Os Pivots: Paulo Marinho.

Paulo Marinho é membro da “Gaitafolia”, da APEDGF (Associação Portuguesa para o Estudo e Divulgação da Gaita de Foles) e dos “Gaiteiros de Lisboa” e tem vindo a desenvolver um trabalho pluridisciplinar no âmbito da Gaita de Foles não só como instrumentista, mas também no ensino, na investigação, na divulgação e na construção.
Marinho foi, em 1983, um dos fundadores do grupo “Sétima Legião”, pertenceu ao grupo “Anaquiños da Terra” (do Centro Galego de Lisboa) e participou em espectáculos e gravações de variados grupos e intérpretes: “Almanaque”, “Romanças”, “GNR”, Francis, António Manuel Ribeiro, Amélia Muge, “Golpe de Estado”, Rodrigo Leão e Né Ladeiras. O estudo e a prática da Gaita de Foles, desenvolveu-os Paulo Marinho no Centro Galego de Lisboa, onde frequentou vários cursos ministrados por conceituados gaiteiros galegos, mas também em convívio frequente com gaiteiros tradicionais de todo o país, sobretudo de Trás-os-Montes, do Minho,  de Coimbra e da zona de Torres Vedras.
(texto: a partir do site gaiteirosdelisboa.com)  

Os Pivots: André Ventura.

André Ventura com o gaiteiro Joaquim Roque (Torres Vedras).

André Neves Ventura iniciou a sua aprendizagem de gaita na escola da Associação Gaita de Foles, onde acabou por integrar a Gaitafolia e desenvolver também um trabalho na área do ensino, ministrando aulas de gaita de foles dentro desta associação.
Possui o Curso de Artes e Animação Circense da Escola Profissional de Artes e Ofícios do Espectáculo do Chapitô e a Especialização Artística em Teatro de Rua, obtida na Academia Contemporânea do Espectáculo (A.C.E.) do Porto.
Participou em vários espectáculos de rua com Urban Strawberry Lunch (Reino Unido), Friches Têathre Urban (França), Allan Richardson (Reino Unido), Sandra Meladenovich (Itália), Nicolaus (França), La Fura dels Baus (Espanha), Els Commediants (Espanha) e Kevin Brookin (EUA). Fez parte do elenco da peça “Menino ao Colo”, de Maria Emília Correia, no Teatro da Trindade. Participou nalguns projectos como Dumdumba, Estrada de Santiago, Ikeya-Seki e "Percussa´ma Gaita". Participou na gravação do CD dos At-Tambur. Para além disso, actualmente, faz parte do elenco da peça “Afonso” do Grupo de Teatro O Bando, desenvolve um pouco das várias artes performativas (acrobacia, malabarismo, palhaço, fogo, andas, mímica, bufon, máscara neutra e larvar) e toca outros intrumentos musicais, tendo como grande objectivo trabalhar todas as técnicas em conjunto.

Os Construtores: Victor Félix e Mário Estanislau.

Victor Félix Mário Estanislau

Victor Félix e Mário Estanislau são os responsáveis pela oficina de construção de instrumentos da Associação Gaita de Foles. Victor Félix constrói instrumentos musicais (sobretudo cordofones) há mais de 20 anos, e a partir de 1997 pôde finalmente concretizar o seu sonho de construir uma gaita-de-foles, quando conheceu Paulo Marinho, com o qual iniciou uma colaboração que viria a ter uma expressão maior dentro da Associação Gaita de Foles. No seu trabalho de investigação e construção, procuraram os conhecimentos necessários junto do Museu de Etnologia, da documentação de vários autores e do convívio com gaiteiros e artesãos portugueses, galegos, franceses, etc.

Foi durante esse percurso que conheceu Mário Estanislau, um jovem torneiro mecânico e construtor de instrumentos musicais natural de Torres Vedras, que se dedicava, tal como ele, à construção de cordofones e que principiou (sozinho) a construção de uma gaita-de-foles, um instrumento bastante popular na sua região. O encontro entre os dois artesãos veio trazer frutos; devido à sua experiência de torneiro mecânico e artesão, Mário providencia os ferros necessários à perfuração das peças, indispensável em instrumentos como a gaita-de-foles e os conhecimentos e experiência partilhados permitiram iniciar a construção de modelos de gaitas galegas, transmontanas e até smallpipes e muitos outros aerofones (flautas, clarinetes, etc) e a continuação do trabalho nos cordofones.

 


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