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1º Encontro: Crónica

Breve Crónica do I Encontro de Tocadores, por José Miguel Barros, no site At-tambur.com
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Registos sonoros recolhidos no estúdio de gravação da edição de 2002, disponíveis para download, em mp3
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Imagens das várias oficinas do primeiro Encontro...

II Encontro de Tocadores
Ao encontro da música tradicional e dos seus instrumentos

Nisa, dias 9, 10 e 11 de Maio de 2003
 
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Instrumentos - Rabeca
Características e distribuição



Foto: "Instrumentos Musicais Populares Portugueses", Gulbenkian, 2000.

Características e distribuição
A rabeca, ou seja, entre nós, o violino comum, aparece com bastante frequência nos agrupamentos musicais populares. Ela não pode, contudo, considerar-se, de um modo geral, uma espécie regional, e nenhumas características locais mostram, a não ser, por vezes, o rusticismo do seu fabrico. A sua inclusão nesses grupos, se nem sempre é verdadeiramente recente, tem, porém, um aspecto pouco tradicional, e não parece processar-se de modo essencial. Ela mostra-se com frequência nas rusgas ao lado dos outros cordofones de mais velha tradição, nas tunas, em grupos mais ou menos improvisados, etc.; e nesses casos, participa do carácter inteiramente profano desses conjuntos. A rabeca é, além do mais, dos instrumentos típicos dos cegos e pedintes urbanos. Mais importante entre nós é, porém, a rabeca chuleira, de que passamos a ocupar-nos.


Foto: Tocadores de Rabeca ("Instrumentos Musicais Populares Portugueses", Gulbenkian, 2000).

A rabeca chuleira, rabela, ou ramaldeira é um violino popular de braço curto e
escala muito aguda, que aparece numa área centrada em Amarante, que vai até ao Douro, Guimarães, Lousada e Santo Tirso, ligada a uma forma musical (e coreográfica) peculiar a essa área — a chula. Na maior parte dessa área, a rabeca agora existente tem a caixa semelhante à do violino, com medidas gerais de cerca de 50 cm de comprimento por 20 de largura, e apenas um braço extremamente curto (fig. 190), com 17 a 21 cm da pestana ao cavalete, 13 a 17 de escala, e 3 (e hoje menos) a 5 da pestana à ilharga. Em Celorico de Basto, porém, vimos rabecas com a caixa extremamente pequena, com menos de 30 cm de comprimento por 12 a 15 de largura, com apenas 7 na cinta, e cerca de 18 da pestana ao cavalete. As cordas, hoje, são por vezes, em parte metálicas, mas antes eram de tripa, e as primas, mais finas, de seda. A sua afinação é a do violino, uma oitava mais alta,mi4 -lá3 -ré3 -sol2 (do agudo para o grave).

Estes instrumentos são feitos pelos violeiros, citadinos ou locais, por encomenda, e até, não raro, pelos próprios tocadores, quando são habilidosos (de resto, os violeiros locais muitas vezes são também tocadores dos instrumentos que eles próprios constróem); eles não obedecem a um padrão fixo regular, e, conforme os desejos dos tocadores, mostram medidas um pouco variáveis. Em épocas mais recuadas, parece que as rabecas chuleiras tinham um braço sensivelmente mais comprido, e que, consequentemente, a sua escala pouco mais aguda era do que a do violino vulgar.

A rabeca é porém bastante corrente nos conjuntos musicais populares das ilhas da Madeira, Porto Santo e Açores, e também Cabo Verde. César das Neves, a propósito da sua suposta «Chula mirandesa», fala também num conjunto composto de clarinete, requinta, flauta tíbia, rabeca, tambor e castanholas - além da gaita-de-foles.

Sem dúvida, o violino, por toda a parte, veio ocupar o lugar das velhas violas de arco ou das rabecas, e conhecemos inúmeras representações destes instrumentos que atestam o seu uso entre nós desde tempos remotos; mas, na realidade, esta é, em Portugal, a designação popular do violino, e não cremos que a razão linguística tenha aqui grande peso. A rabeca rabela ou chuleira parece-nos ser um instrumento recente, que representa a modificação do violino vulgar, popularizado certamente apenas no decurso dos séculos XVII ou XVIII. É conhecido o gosto do nosso povo, sobretudo da região de Entre Douro e Minho, pelas vozes sobreagudas, quase gritantes. Seja ou não por essa razão, seja quiçá por influência longínqua da escala porventura mais aguda das primitivas rabecas que ele veio substituir, o certo é que, para a chula, o violino vulgar tinha de se tocar apenas no fundo do braço. E é então natural que alguns tocadores tivessem a ideia de arranjar um instrumento que, conservando a estrutura fundamental, a técnica e a afinação do violino, fosse já, por si só, por meio de um braço reduzido, ainda mais alto que o violino.
De facto, a rabeca, em certos pontos da área da chula, como por exemplo em várias partes do concelho de Celorico de Basto (S. Bartolomeu), começou a construir-se apenas já neste século, e parece que, antes, usava-se aí o violino vulgar. Por outro lado, vemos hoje possuidores de rabecas antigas que mandam encurtar ainda mais o braço, no desejo de elevarem o tom da sua chulada e de suplantar os demais tocadores.
(Extraído e adaptado do livro "Instrumentos Musicais Populares Portugueses", de Ernesto de Oliveira e Benjamim Pereira, Gulbenkian, 2000).

 


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