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Encontro de Tocadores
Portugal, um Retrato Musical
O Encontro de Tocadores regressa em 2008, com uma edição cheia de
novidades e mais oficinas, para todos os
públicos: Viola Braguesa e Cavaquinho, Gaita-de-fole, Concertina (Cabo-verde), Harmónica, Canto, Rabeca (Brasil) e até uma oficina
paralela de Dança, dedicada aos repertórios das oficinas de
instrumentos.
Oficinas
e mais além
Para além destas oficinas, haverá
actividades paralelas, inteiramente dedicadas à música: oficinas de
Improvisação Musical,
Construção de Instrumentos, actividades para crianças e Mostra de
Artesãos e Instrumentos.
Mas o Tocar de Ouvido - Encontro de Tocadores, também é um espaço para
pensar e aprender. Ao longo do programa haverá palestras, colóquios,
mesas-redondas e "coisas que não lembram ao diabo": Palestra sobre
Instrumentos de Corda, com Joaquim Domingos Capela; Recital Comentado "A
Rabeca no Brasil", com Zé Gomes; mesa-redonda sobre a
construção de instrumentos musicais, com algumas das principais
referências portuguesas desse âmbito;
mesa-redonda sob o tema "Portugal, Um Retrato Musical", dedicada às
grandes transformações ocorridas em Portugal nos últimos 30 anos - e a
sua influência nas práticas musicais; com Domingos Morais, Julieta
Silva, Eduardo Paes Mamede, entre outros.
E ainda, as "Conversas Debaixo do Radar - Coisas que Não Lembram ao
Diabo", sobre aqueles fenómenos marginais ou polémicos da música, que
geralmente passam despercebidos para o grande público.

Os Bailes:
Regresso ao Terreiro
E como não podia deixar de ser, os bailes informais nocturnos são o
grande momento de encontro, improviso, dança e convívio de todos os
Tocadores e do público. É no Terreiro que se fazia a música das aldeias;
é no Terreiro que se volta a fazer música, pela mão de todos os que
visitam os Tocadores. Momentos de verdadeira euforia, onde se registaram
alguns dos melhores momentos de criação musical deste evento, nas suas
sucessivas edições.

Os Cordofones, os
Gaiteiros e o poder das Vozes
A oficina de Viola Braguesa e Cavaquinho procura recuperar as velhas
formas de tocar este instrumento, para salvá-lo do seu declínio técnico;
embora haja cada vez mais pessoas a tocá-lo, poucas conhecem a fundo as
suas técnicas e segredos. Nesta edição, talvez surja um novo grupo de
pessoas dispostas a aprender e a transmitir conhecimentos, o que
iniciará algo maior, com consequências para lá deste evento. Esse é,
pelo menos, o objectivo.
Na oficina de Gaita-de-fole estará presente João da Pena, um gaiteiro
oriundo de Cantanhede. A Beira Litoral é uma das regiões do país onde há
mais registos de uma prática continuada e original do instrumento, com
características próprias e um grande número de Gaiteiros e
Gaitas-de-fole a povoar os espaços e os momentos da vida de todos os
dias. No entanto, o grande público ainda desconhece essa realidade,
habituado que está a pensar a Gaita-de-fole como exclusiva do Minho ou
do Nordeste Transmontano.
Na oficina de Canto, pela mão da maestrina Paula Coimbra,
trabalhar-se-ão os registos das vozes, individuais e em conjunto, para
explorar a enorme riqueza dos cantos polifónicos, uma prática musical em
que Portugal é inusitadamente rico, em comparação com outros países
europeus.

A "Gaita de Beiços"
e a outra face do Alentejo
No Alentejo a música é, ou era, verdadeiramente popular: para além dos
sobejamente conhecidos coros alentejanos, tão propagados nos Media, é
abundante o uso de instrumentos como a
Harmónica, ou "Gaita de Beiços".
Uma boa parte do repertório dos bailes e canções alentejanas era feito
ao som desse instrumento, que por ser um instrumento muito popular e
difundido em todo o Mundo, não captou, talvez, as atenções dos mais
interessados em instrumentos e práticas musicais "exóticas". E no
entanto, este universo contém práticas musicais riquíssimas, mal
conhecidas e a explorar. Na edição deste ano está prevista a inclusão de
uma oficina de Harmónica, com a vantagem de este instrumento ser
relativamente fácil de encontrar, a preços razoáveis, em qualquer
loja de música - o que fará desta uma oficina para todos.

Dançar:
o corpo é música
A oficina de
Dança desta edição visa recuperar a vivência dos géneros musicais e dos
repertórios ensinados nas oficinas de instrumentos, através da dança. Em
muitos casos, essa era a primeira função dos instrumentos e das músicas
dos Tocadores: proporcionar o Baile, o espaço comum de convívio,
interacção e festa das comunidades.
No caso dos repertórios "tradicionais", pertencentes a práticas musicais
em declínio, é comum observar a degradação das estruturas musicais, por
desconhecimento dos contextos em que eram tocados, porque os tocadores
desconhecem a coreografia associada à música, a sua razão de ser e porque
se tocava de um modo e não de outro.
Por isso mesmo, a oficina de Dança pretende estudar os repertórios das
oficinas, levar os bailadores a interagir com os músicos e vice-versa.
Para que todos aprendam com todos.

Alentejo encontra Brasil:
Chico Lobo & Pedro Mestre
e seus Mestres: Manuel
Bento & Nelson Jacó
No dia 3, Sábado, a partir das 15:00
horas, o Tocar de Ouvido recebe a visita de convidados especiais: os
Mestres Manuel Bento (Viola Campaniça) e Nelson Jacó (Viola Caipira) e
os seus pupilos, Pedro Mestre e Chico Lobo, respectivamente, num recital
ou concerto comentado, sobre as sonoridades destas duas Violas, de
Portugal e do Brasil. De Portugal e do Brasil cruzam-se também duas
gerações de Tocadores, que criaram e hoje recuperam as vivências destes
instrumentos, outrora quase abandonados. O momento a que se assistirá é
no mínimo, histórico. A globalização também tem consequências (muito)
positivas.
Cabo Verde e Brasil:
novos velhos sons
Na edição deste ano, o Tocar de Ouvido tem dois convidados muito
especiais.
O primeiro é Julinho da Concertina, músico Cabo-verdiano residente em
Portugal, que trará os sons da "Gaita" (como a concertina é chamada em
Cabo Verde), e do Ferro (idiofone de metal que acompanha a música da
concertina). Virá para ensinar as músicas Cabo-verdianas e dar a
conhecer a convivência de diferentes géneros musicais nessa parte do
mundo, que mistura influências europeias e africanas.
A sua presença nesta edição é uma marca das transformações que mudaram
Portugal nos últimos 30 anos: a transformação do mundo rural, o
crescimento do espaço urbano, a descolonização, a emigração, a
imigração, as mudanças nos consumos musicais das cidades e dos campos e
a vinda de novos géneros musicais e novos tocadores. Novos sons, num
país em mudança, cada vez mais cosmopolita, mas em que vale a pena (re)descobrir
a memória musical: a sua, de mão dada com as outras.
Outro convidado é Zé Gomes, reputado músico brasileiro, que há muitos
anos estuda e trabalha o repertório das regiões rurais mais esquecidas
do Brasil e onde a influência da colonização portuguesa nas formas
musicais perdura até hoje, sob a forma da Rabeca (o seu instrumento de
eleição), mas também numa extensa família de Violas, com uma grande
variedade de formatos e sonoridades.
A oficina de Rabeca é especialmente dedicada a todos os instrumentistas
de Violino ou Viola de Arco (instrumentos da mesma família da Rabeca),
que em Portugal se dedicam sobretudo ao estudo da música erudita, em
Conservatórios e Academias espalhadas pelo país - mas que desejam
alargar os seus horizontes e descobrir novos e riquíssimos universos
musicais.
O Tocar de Ouvido abre-se assim ao Mundo, para melhor dar a conhecer as
músicas (quase) esquecidas de Portugal e de outros lugares, onde
porventura se preservou, recriou e cresceu uma parte da sua memória
musical.

Organização

Associação Pédexumbo | Associação Gaita-de-foles | d'Orfeu Associação
Cultural
Financiamento e Apoios

Câmara Municipal de Évora | A PédeXumbo e d’Orfeu
são entidades financiadas pelo Ministério da Cultura / Direcção Geral
das Artes | Instituto de Estudos de Literatura Tradicional |
Universidade de Évora - Serviços de Acção Social | Hotel Dom Fernando |
Grupo de Cantares de Évora |

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