Associação Gaita-de-Foles A.P.E.D.G.F. APEDGF
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Instrumentos
> Flauta de Tamborileiro


Oficina de Flauta de Tamborileiro, no Tocar de Ouvido - edição de 2006.


Tocador: Santiago Bejar
Nascido em Cáceres (Espanha) em 1923. Estuda música desde jovem, dedicando-se ao saxofone. A partir de 1988, dedica-se intensamente à flauta de tamborileiro, sendo convidado pelos "Coros Extremeños de Plasencia", interpretando aí inúmeras canções populares compiladas por Don Manuel Garcia Matos. Recebe diversos prémios como tamborileiro nos concursos de "Martes Mayor de Plasencia" e "San Bartolomé de Montehermoso" (1992, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003).
Lecciona diversos cursos como professor de "gaita" (como também é chamada a flauta de tamborileiro na sua região), em Jariz de la Vera e Cáceres, no âmbito dos cursos no Centro de Cultura Tradicional e também em Plasencia, no âmbito dos cursos da Universidade Popular. É a partir destas aulas que surge a Asociación Cultural de Tamborileros Norte de Extremadura Santiago Bejar.

A Asociacón Cultural de Tamborileiros Norte Extremadura Santiago Bejar visa promover as tradições da flauta tamborileira e gaita-de-fole da Estremadura através da participação em eventos populares, da promoção de intercâmbios com outras associações e concertos didácticos para captação de um público mais jovem e sua integração nas tradições musicais da Extemadura. Participa nos programas culturais organizados pelos diversos municípios, bem como certames e conferências que sirvam a defesa das suas tradições musicais. Também desenvolve trabalhos em parceria com a Universidad Popular Fray Alonso Fernández de Plasencia para o estudo dos instrumentos. Fundada a partir das aulas de flauta tamborileiro da Universidade Popular, foi impulsionada por Anselmo Toríbio e é presidida por Santiago Bejar, seu professor. Formada por 34 músicos, quer alunos, quer peritos no tema da música popular.


A Flauta de Tamborileiro, em Trás-os-Montes e no Alentejo
O tamboril e flauta, tocados por uma só pessoa, num conjunto instrumental unitário e coerente, é, em Portugal, uma forma rara e pouco representativa, que existe, pelo menos actualmente, como vimos, apenas em duas regiões delimitadas e afastadas uma da outra: em algumas aldeias raianas de Terras de Miranda, no Leste trasmontano, como elemento instrumental fundamental das festas em que têm lugar — Danças de Pauliteiros, dos Velhos, Festas de Rapazes, Presépios de Natal, ofícios e certas outras solenidades religiosas —, a par ou em lugar da gaita-de-foles, em funções de nítido carácter cerimonial e até litúrgico, e também em funções profanas e lúdicas, fiadeiros e outras diversões avulsas e acontecimentos de menor vulto, ao serviço da velha música característica dessa zona; e na faixa alentejana além Guadiana, associado às festas religiosas patronais ou principais das várias localidades, aí apenas em funções cerimoniais qualificadas, servindo uma curta fórmula musical puramente ritual, que nada tem que ver com a música corrente da região. Em cada uma delas, ele mostra certos caracteres comuns, e, por outro lado, diferenças muito sensíveis.


Foto: O Tamborileiro Virgílio Augusto Cristal a tocar na Eira para um grupo de bailadores.

O pífaro, como instrumento deste conjunto — a flaita ou gaita —, é, como dissemos, um tipo de flauta doce, com fenda em bisel, por onde se sopra, e com três furos no topo oposto: dois na face superior, para o indicador — normalmente da esquerda —, e um na inferior, para o polegar; o instrumento segura-se e toca-se com essa mesma mão, firmado na boca e, no outro topo, pelo polegar e pelos dedos mínimo e anelar dessa mão.


O tamborileiro António Maria Cuco (Santo Aleixo da Restauração) - foto: "Instrumentos Musicais  Populares Portugueses", Gulbenkian, 2000.

No Alentejo, ele tem, para esse efeito, umas pequenas molduras apropriadas, onde encaixam estes dedos: o mínimo por baixo e o anelar por cima. Em Trás-os-Montes, onde tais molduras não existem, o mínimo apenas ampara o pífaro de topo. O tamboril vai suspenso desse mesmo braço, por uma pequena correia, e é batido com a baqueta única, empunhada pela mão direita. Os tamboris e flautas dos tamborileiros trasmontanos, a despeito do seu uso cerimonial, nenhum carácter colectivo possuem.

O tamboril é, de um modo geral, um tambor pequeno, que, num sentido preciso, mostra bordões sobre ambas as peles, embora se toque só numa delas, como as caixas. Ele aparece nestes termos em Trás-os-Montes, na faixa fronteiriça de Rio de Onor e Terras de Miranda, e é mesmo muitas vezes uma mera caixa, à qual se aplicaram bordões nos dois lados.

Em Rio de Onor, o tamboril acompanha a gaita-de-fole nas mesmas ocasiões em que esta se usa, e toca-se em posição horizontal, com duas baquetas, ambas sobre a mesma pele; em Terras de Miranda, onde ele é muito popular e de especial agrado do povo, ele toca-se de igual maneira, com grande maestria, geralmente a acompanhar a dança, com o bombo, a gaita, a fraita, os ferrinhos, castanholas e «carracas» (conchas de vieiras); mas muitas vezes tocam-no mesmo sozinho, sem acompanhamento de qualquer outro instrumento, podendo as pessoas dançar horas sem fim, apenas com o seu rufar.


Extraído e adaptado do livro "Instrumentos Musicais Populares Portugueses", de Ernesto de Oliveira e Benjamim Pereira, Gulbenkian, 2000.




 


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