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Instrumentos
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Rabeca
Chuleira

Braço de
Rabeca Chuleira (foto: Zig Koch).
Nota: Esta
oficina só decorrerá no Sábado dia 28 à tarde e Domingo 29, de manhã e
de tarde.
Tocador: Bernardo Ribeiro
(a
actualizar)
Bernardo Ribeiro, nascido em 1927, é tocador de Rabeca Chuleira e vive
em Carvalho de Reis, Amarante.
Pivot: Manuel Rocha
Nasce
em Coimbra. Inicia os estudos de violino aos sete anos no Conservatório
local. Aos 14 anos ingressa na Brigada Victor Jara onde toma contacto
com as recolhas do Michel Giacometti. Aos 18 inscreve-se no GEFAC, que
vinha fazendo alguns trabalhos de recolha, estudo e divulgação da música
regional. Entre 1982 e 1988 estuda em Moscovo, no Instituto Gnessin,
onde se licencia como professor de violino e músico de orquestra.
Lecciona, desde 1988, violino no Conservatório de Música de Coimbra.
Paralelamente, tem vindo a fazer trabalhos como músico (em palco e em
estúdio) e, em 2003, foi autor de uma série de documentários para a RTP
sobre a música e (alguns) músicos populares portugueses, realizados a
partir da série de Michel Giacometti e Alfredo Tropa "Povo que Canta".
Características e distribuição
A rabeca, ou seja, entre nós, o violino comum, aparece com bastante
frequência nos agrupamentos musicais populares. Ela não pode, contudo,
considerar-se, de um modo geral, uma espécie regional, e nenhumas
características locais mostram, a não ser, por vezes, o rusticismo do
seu fabrico. A sua inclusão nesses grupos, se nem sempre é
verdadeiramente recente, tem, porém, um aspecto pouco tradicional, e não
parece processar-se de modo essencial. Ela mostra-se com frequência nas
rusgas ao lado dos outros cordofones de mais velha tradição, nas tunas,
em grupos mais ou menos improvisados, etc.; e nesses casos, participa do
carácter inteiramente profano desses conjuntos. A rabeca é, além do
mais, dos instrumentos típicos dos cegos e pedintes urbanos. Mais
importante entre nós é, porém, a rabeca chuleira, de que passamos a
ocupar-nos.

Foto: Tocadores de
Rabeca ("Instrumentos Musicais Populares Portugueses", Gulbenkian,
2000).
A rabeca chuleira, rabela, ou ramaldeira é um violino popular de braço
curto e escala muito aguda, que aparece numa área centrada em Amarante,
que vai até ao Douro, Guimarães, Lousada e Santo Tirso, ligada a uma
forma musical (e coreográfica) peculiar a essa área — a chula. Na maior
parte dessa área, a rabeca agora existente tem a caixa semelhante à do
violino, com medidas gerais de cerca de 50 cm de comprimento por 20 de
largura, e apenas um braço extremamente curto (fig. 190), com 17 a 21 cm
da pestana ao cavalete, 13 a 17 de escala, e 3 (e hoje menos) a 5 da
pestana à ilharga. Em Celorico de Basto, porém, vimos rabecas com a
caixa extremamente pequena, com menos de 30 cm de comprimento por 12 a
15 de largura, com apenas 7 na cinta, e cerca de 18 da pestana ao
cavalete. As cordas, hoje, são por vezes, em parte metálicas, mas antes
eram de tripa, e as primas, mais finas, de seda. A sua afinação é a do
violino, uma oitava mais alta,mi4 -lá3 -ré3 -sol2 (do agudo para o
grave).

Foto:
"Instrumentos Musicais Populares Portugueses", Gulbenkian, 2000.
Estes instrumentos são feitos pelos violeiros, citadinos ou locais, por
encomenda, e até, não raro, pelos próprios tocadores, quando são
habilidosos (de resto, os violeiros locais muitas vezes são também
tocadores dos instrumentos que eles próprios constróem); eles não
obedecem a um padrão fixo regular, e, conforme os desejos dos tocadores,
mostram medidas um pouco variáveis. Em épocas mais recuadas, parece que
as rabecas chuleiras tinham um braço sensivelmente mais comprido, e que,
consequentemente, a sua escala pouco mais aguda era do que a do violino
vulgar.
A rabeca é porém bastante corrente nos conjuntos musicais populares das
ilhas da Madeira, Porto Santo e Açores, e também Cabo Verde. César das
Neves, a propósito da sua suposta «Chula mirandesa», fala também num
conjunto composto de clarinete, requinta, flauta tíbia, rabeca, tambor e
castanholas - além da gaita-de-foles.
Sem dúvida, o violino, por toda a parte, veio ocupar o lugar das velhas
violas de arco ou das rabecas, e conhecemos inúmeras representações
destes instrumentos que atestam o seu uso entre nós desde tempos
remotos; mas, na realidade, esta é, em Portugal, a designação popular do
violino, e não cremos que a razão linguística tenha aqui grande peso. A
rabeca rabela ou chuleira parece-nos ser um instrumento recente, que
representa a modificação do violino vulgar, popularizado certamente
apenas no decurso dos séculos XVII ou XVIII. É conhecido o gosto do
nosso povo, sobretudo da região de Entre Douro e Minho, pelas vozes
sobreagudas, quase gritantes. Seja ou não por essa razão, seja quiçá por
influência longínqua da escala porventura mais aguda das primitivas
rabecas que ele veio substituir, o certo é que, para a chula, o violino
vulgar tinha de se tocar apenas no fundo do braço. E é então natural que
alguns tocadores tivessem a ideia de arranjar um instrumento que,
conservando a estrutura fundamental, a técnica e a afinação do violino,
fosse já, por si só, por meio de um braço reduzido, ainda mais alto que
o violino.
De facto, a rabeca, em certos pontos da área da chula, como por exemplo
em várias partes do concelho de Celorico de Basto (S. Bartolomeu),
começou a construir-se apenas já neste século, e parece que, antes,
usava-se aí o violino vulgar. Por outro lado, vemos hoje possuidores de
rabecas antigas que mandam encurtar ainda mais o braço, no desejo de
elevarem o tom da sua chulada e de suplantar os demais tocadores.
(Extraído e
adaptado do livro "Instrumentos Musicais Populares Portugueses", de
Ernesto de Oliveira e Benjamim Pereira, Gulbenkian, 2000).

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