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Gaita-de-fole

Oficina de Gaita-de-fole (Tocar de Ouvido 2006).
Na oficina de Gaita-de-fole estará presente João da Pena, um gaiteiro
oriundo de Pena, Cantanhede. A Beira Litoral é uma das regiões do país onde há
mais registos de uma prática continuada e original do instrumento, com
características próprias e um grande número de Gaiteiros e
Gaitas-de-fole a povoar os espaços e os momentos da vida de todos os
dias.
No entanto, o público ainda desconhece essa realidade,
habituado que está a pensar a Gaita-de-fole como exclusiva do Minho ou
do Nordeste Transmontano. O objectivo desta oficina é, precisamente, o
de contrariar este estereótipo e aproximar os jovens gaiteiros em
formação a formas musicais e contextos da vivência dos Gaiteiros que os
precederam, a que de outro modo, dificilmente teriam acesso. Na oficina
abordar-se-ão, é claro, muitos outros aspectos fundamentais do
instrumento: afinação, manutenção, contextos sociais, etc.
Tocador: João dos Santos Pereira
("João da Pena")

A
primeira experiência deste gaiteiro com um instrumento musical ocorreu
quando era criança, enquanto andava a guardar ovelhas, nas redondezas do
seu lugar, Monte Novo, freguesia do Luso, na Mealhada, onde nasceu em
1942. Enquanto guardava as ovelhas, costumava tocar pífaros de lata e de
cana, estes últimos por si próprio construídos. É nessa prática
instrumental que considera residir a raiz da sua posterior dedicação à
gaita-de-fole.
Neste instrumento interpreta em geral os mesmos temas que os gaiteiros
da região como o "Malhão de Águeda", "Se Fores à Fonte", etc.
Contudo, o que ele aprecia particularmente é tocar fados. Interpreta-os
geralmente quando actua em espaços fechados, acompanhado pelos seus
percussionistas, que adequando o nível sonoro ao espaço, percutem os
aros ou fuste dos tambores. É neste contexto que gosta de tocar e
aproveita para se dar a um público atento. Considera que o barulho "está
bem, mas é na rua". E mesmo nas arruadas, devido ao seu gosto pela
perfeição da afinação, nunca desfila na tradicional disposição do grupo
de gaiteiros em que o tocador de gaita-de-fole segue no centro.
Prefere seguir num dos extremos do alinhamento formado pelos três
tocadores, para melhor ouvir a melodia que toca.
Desde há décadas que o seu grupo tem participado em milhares de festas,
a maior parte das quais patronais, participando em festejos quer
profanos, quer sagrados, por exemplo, anunciando peditórios, tocando à
frente das procissões e até proporcionando bailes ao som do seu
gaiteiro.
É de referir que, tal como geralmente todos os gaiteiros da região,
mesmo quando se empregam noutra actividade, no seu caso na indústria,
nunca interrompe o contacto com o trabalho da terra, cultivando as suas
pequenas propriedades para consumo próprio.
Henrique Oliveira
Pivot: Francisco Pimenta
Francisco
Pimenta licenciou-se em História pela Faculdade de Ciências Sociais e
Humanas (Lisboa) e iniciou a sua formação como músico em 1997,
frequentando aulas com Paulo Marinho (Gaiteiros de Lisboa) e
participando em Cursos Intensivos
na Galiza, com Bruno Villamor (1998, 2000 e 2002), tendo também
participado num Curso Intensivo de Construção de Palhetas, em 2005, com
o reputado artesão galego Antón Corral.
Entre 1998 e 2002, integrou o
grupo musical Gaitafolia, do qual chegou a ser ensaiador. Completou a sua
aprendizagem como gaiteiro junto de tocadores tradicionais de todo o
país (Joaquim Roque, "Toni" das Gaitas, Joaquim "Carriço"…), com quem
aprendeu técnicas de execução e repertório diverso. No âmbito da Escola
de Gaitas da Associação Gaita-de-foles, onde lecciona desde 2004, tem
procedido a um trabalho sistemático de audição e transcrição musical de
gravações sonoras realizadas a gaiteiros portugueses.
Desde 2006, tem vindo a desenvolver a aprendizagem de percussão
tradicional para gaita-de-fole, após uma formação inicial no I Tocar de
Ouvido, a que seguiu um Curso Intensivo na Associação Xarabal (Galiza),
com Alberto Costas. Faz actualmente parte do Grupo Musical Cornes, da
Associação Gaita-de-Foles, onde actua como percussionista.
Desde 2007 realiza com regularidade, através desta associação, oficinas
musicais para crianças. Mais recentemente, tem centrado a sua atenção no
estudo e documentação das práticas musicais dos gaiteiros populares
estremenhos, com alguns dos quais tem convivido e trabalhado
regularmente.

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