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Harmónica

António Caturra
No Alentejo a música é, ou era, verdadeiramente popular: para além dos
sobejamente conhecidos coros alentejanos, tão propagados nos Media, é
abundante o uso de instrumentos como a
Harmónica, ou "Gaita de Beiços".
Uma boa parte do repertório dos bailes e canções alentejanas era feito
ao som desse instrumento, que por ser um instrumento muito popular e
difundido em todo o Mundo, não captou, talvez, as atenções dos mais
interessados em instrumentos e práticas musicais "exóticas".
E no
entanto, este universo contém práticas musicais riquíssimas, mal
conhecidas e a explorar. Na edição deste ano está prevista a inclusão de
uma oficina de Harmónica, com a vantagem de este instrumento ser
relativamente fácil de encontrar, a preços razoáveis, em qualquer
loja de música - o que fará desta uma oficina para todos.
Tocador: António Caturra
A minha relação com a harmónica ("flaita" como a costumávamos tratar),
inicia na minha infância, nos anos 60. Cresci a ouvi-la nos bailaricos
que a
rapaziada mais velha fazia na rua, principalmente nos mastros, pelos
santos populares. Nesse tempo não havia electricidade na aldeia,
forçando quem quisesse tocar um instrumento musical a ter de optar por
um acústico. A "flaita", além de ter essa característica, era um
instrumento pequeno, que se podia transportar no bolso e usar nas mais
variadas ocasiões. Instrumento relativamente barato, com um som que me
agradava e alegrava bastante, acabou por conquistar a minha amizade e
ser minha companheira do dia a dia durante uma boa parte da minha vida.
Sempre que se fazia um petisco ou uma farra, lá estavam as harmónicas
presentes, a minha e as de outros companheiros de folia.
Ao fim de algumas décadas de cumplicidade com a "flaita", acabei por ser
convidado por um grupo de musica popular e gravar uma faixa de
harmónica, com um companheiro, num projecto discográfico deles.
Faixa essa que acabou por dar o nome ao álbum e se chama...Adiafa.
Depois dessa experiência, acabei por integrar o grupo e gravar mais dois
álbuns, que entre outras valências minhas, continua a estar a de tocador
de
harmónica. Espero não me divorciar desta fiel companheira e poder
continuar por uns bons anos, a tocar "flaita".
António Caturra

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