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Rabeca do Brasil

Zé Gomes.
A oficina de
Rabeca conta com um convidado muito especial: Zé Gomes, reputado músico brasileiro, que há muitos
anos estuda e trabalha o repertório das regiões rurais mais esquecidas
do Brasil e onde a influência da colonização portuguesa nas formas
musicais perdura até hoje, sob a forma da Rabeca (o seu instrumento de
eleição), mas também numa extensa família de Violas, com uma grande
variedade de formatos e sonoridades.
A oficina de Rabeca é especialmente dedicada a todos os instrumentistas
de Violino ou Viola de Arco (instrumentos da mesma família da Rabeca),
que em Portugal se dedicam sobretudo ao estudo da música erudita, em
Conservatórios e Academias espalhadas pelo país - mas que desejam
alargar os seus horizontes e descobrir novos e riquíssimos universos
musicais.
Tocador: Zé
Gomes
Coincidência ou
não, Zé Gomes começou sua vida artística tocando na década de 50, no
grupo tradicionalista "Os Gaudérios" ao lado de Moraes Filho, Jarbas
Cabral e do acordeonista Neneco. Sua marca revolucionária apareceria nos
ousados arranjos que criava, desafiando os conceitos da época. Dono de
formação erudita - tocava Beethoven, Bach, Chopin - jamais procurou
rótulos para sua música. Ao contrário, o seu rádio buscava ansiosamente
as emissoras argentinas e seu alvo preferido era um instrumentista
desconhecido que tocava música crioula com o toque mágico da
modernidade. Seu nome, Astor Piazzolla. Entre os brasileiros, Jacó do
Bandolim e Villa-Lobos eram os seus preferidos. "Nunca me deixei prender
por certos pensamentos. Devemos exercitar nossa liberdade", é uma frase
que define o espírito inquieto do músico gaúcho, que logo deixou Ijuí
para trás e veio para a capital. Em Porto Alegre, ingressou na OSPA e
tocava Vivaldi com a Orquestra de Câmara da Escola de Artes. A principal
característica sempre mantida: não perder de vista a universalidade das
harmonias. O arranjo feito para o clássico regionalista "Os homens de
preto" se ouvida hoje, passa a sensação de ter sido gravada ontem, soa
actual, nova, renovada, ousada para a época. Com "Os Gaudérios", ficou
oito anos, depois procurou conhecer o Brasil. O interior do Brasil.
Suas aparições públicas passaram a ser escondidas no palco, como
coadjuvante de grandes e consagrados nomes da MPB. "Teve um período em
que eu só queria ajudar, participar, não queria nada com o sucesso, ser
estrela. Preferia trabalhar em "off", lembra. Mas, nunca quis ser
revolucionário, representar algo que, depois de viver muito, não
significa quase nada. "O importante é realizar o trabalho". A
insistência dos amigos obrigaram Zé Gomes a mostrar suas composições
fora dos circuitos formados por eles.
A experiência acumulada de anos, conhecendo, vivendo e respirando o pó
da estrada, foi a base para seu primeiro CD "Palavras querem dizer".
Disco
único, revelador em todos os sentidos. Nele a vivência de Zé Gomes e
suas descobertas sonoras, intrincadas combinações, fizeram do
instrumental
de Palavras...um trabalho raro. Instrumentos como a rabeca de três
cordas e a milenar viola de cocho, muito tocada à beira do Rio Cuiabá,
formaram
sua base: a riqueza da música brasileira.
Aquela que nasce com o sol, percorre os rios, habita o Pantanal e marca
definitivamente os limites entre o comercial e o intemporal. O
intrigante
nome do disco instrumental sugeriu várias interpretações. A melhor
definição é a do próprio compositor: "A música está mais perto do
sentido que a palavra". Disse em entrevista, quando lançava o CD ao
final de Setembro de l995. Afinal, tocar anos ao lado de Almir Sater,
Dércio Marques e Renato Teixeira fez com que as terras brasileiras se
entranhassem em sua música. Passados quase três anos, o gaúcho, continua
o mesmo perseguidor de sonoridades raras, seu segundo CD, "A idade dos
homens", é uma linha subtil entre o actual, o folclore que ainda
conhecemos e o de um passado desconhecido. Diferente de Palavras... A
Idade...tem o braço do parceiro André Gomes, mesclando diversas regiões,
respeitando suas respectivas culturas. Denominado por ele como
"Colonização cultural de consumo", os toques harmónicos estão em
perfeita combinação. Inspiradas, todas as composições têm o somatório
das suas experiências pelo mundo.
(Fonte:
Brasil Festeiro)

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