Uma edição da Associação Gaita-de-foles junta a
comunidade para homenagear o legado de um gaiteiro notável
A mais recente edição da Associação Gaita-de-foles consiste num CD
de homenagem ao grupo "Os Carriços", um dos grupos de
Gaiteiros mais emblemáticos do centro do país.
O CD agora editado contém as gravações realizadas em 2017 por
Luís
Antero e conta com o design de Marta Miranda.
Foram
editados apenas 250 exemplares do CD, pelo que é uma edição
exclusiva. O CD, juntamente com a bolsa mais os portes de envio, tem
o custo de 16 euros e as encomendas podem ser endereçadas a
[email protected]
Oriundos de Quinta do Valongo, Mealhada, os Carriços surgiram pela
mão de um dos gaiteiros em actividade mais antigos do país, Joaquim
Carriço.
Joaquim Pereira “Carriço” Joaquim
Pereira, mais conhecido por Carriço, homem de oitenta e dois anos de
idade, nascido, criado e casado na Quinta do Valongo, freguesia da
Vacariça, é um dos derradeiros gaiteiros tradicionais da zona que
engloba Coimbra e concelhos limítrofes.
Apesar de não ter antecedentes na família, Joaquim Carriço conheceu
diversos antigos gaiteiros da zona, de quem bebeu grande parte do saber.
Entre estes antigos tocadores, alguns nascidos bem dentro do século XIX,
encontram-se os membros do grupo de gaiteiros da Vacariça, aos quais já
Armando Leça fazia referência na obra Cancioneiro Músico-Popular,
editada em 1940: “Na Mealhada deve reconstituir-se o Gaiteiro da
Vacariça”.
A ponteira da Gaita-de-fole tocada por Carriço foi construída por um
artesão que tinha oficina na cidade de Coimbra. Sendo assim, este
tocador faz parte do restritíssimo grupo de velhos gaiteiros da região
que ainda utiliza um instrumento de fabrico local. Desde há décadas que
o seu grupo tem participado em milhares de festas, a maior parte das
quais patronais, participando em festejos quer profanos, quer sagrados,
por exemplo, animando bailes, anunciando peditórios e tocando à frente
das procissões. É um dos últimos gaiteiros da sua região que ainda sabe
tocar o Passo-dobrado, um dos únicos temas exclusivos do repertório da
gaita de fole da zona de Coimbra. Apesar de ter trabalhado durante
muitos anos numa serração, nunca interrompeu o contacto com o trabalho
da terra, seja cultivando as suas pequenas propriedades, ao longo de
toda a vida, seja, durante vários anos, trabalhando ao dia, em grandes
propriedades vinícolas bairradinas.
Este CD foi apresentado no fim de semana de 17 e 18 de Janeiro de
2020, no VII Encontro de Gaiteiros de Almalaguês e contou com a preciosa colaboração de várias
Tecedeiras de Almalaguês, que teceram mais de 200 bolsas para os
respectivos CDs.
São peças artesanais únicas, todas diferentes e em várias cores e
estilos e que ilustram bem o afecto e respeito dedicado aos músicos
populares - e em especial, aos gaiteiros.
Veja aqui um vídeo sobre esta edição dos Encontros de Almalaguês:
Imagem do desfile e cartaz do Encontro de Almalaguês de 2020:
A homenagem contou com a presença de muitos grupos de gaiteiros de
todo o país: Charanga, Alma Menor, Orquestra de Foles,
Pauliteiros Mirandeses de Palaçoulo e ainda a participação
especial dos grupos folclóricos "De Torre de Bera" e "As Tecedeiras
de Almalaguês".
Foi também entregue pela Associação Gaita-de-foles uma estátua em
ferro, concebida pelo escultor Jorge Simões, para assinalar a
importância deste tributo.
Contribuir para este tipo de iniciativas não só visa
criar um património importante no seio da Associação e
comunidade, como também potencia que mais projetos se desenvolvam.